A herança da escravidão na sociedade brasileira do século XXI.
Enviada em 11/08/2020
No ano de 1888 foi sancionada a Lei Áurea, que declarava, judicialmente, a abolição da escravatura, com ela, os negros foram libertos, porém as condições com as quais eles foram expostos não condizem com a real liberdade. Entretanto, mesmo depois de mais de 100 anos que a abolição aconteceu, é lamentável ver como afro-descendentes ainda sofrem com o preconceito, normalmente vistos como pessoas não-confiáveis por outros que se consideram superiores. Assim, é necessário que a democracia racial, que consiste em direitos iguais para todas as raças presentes dentro de um território, deixe de ser um mito e se torne realidade na sociedade brasileira.
A priori, a ideia colonial que o negro é alguém perigoso e não digno pode ser vista hoje em dia em diversas situações, por exemplo: se houver apenas um branco e um negro dentro de uma loja e ali, um objeto for roubado, o segurança desconfiará do negro antes de tudo, mesmo sem provas. Ademais, a música “Todo camburão tem um pouco de navio negreiro” da banda O Rappa, revela de forma explícita como o mundo ainda é racista. Dessa forma, os afrodescendentes continuam a serem vistos, dentro da sociedade, como seres inferiores.
Outrossim, é um fato que o Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão e ainda assim, não ofereceu qualquer amparo social e econômico às pessoas que eram libertas. Apesar de livres, aqueles antigos escravos ainda sofriam muito, tendo relação com os donos de comércio e de outras áreas de trabalho, que, geralmente, não consideravam a ideia de empregar ou pagar salário para algum negro, trazendo, como consequência, muitos ex-escravos sem emprego, sem moradia, sem alimento e, principalmente, sem chance de crescer economicamente ou socialmente. Assim, é possível explicar o porque que a maioria da população pobre, dentro do Brasil, é negra ou parda.
Em suma, é necessário que o Ministério da Educação juntamente com o Estado, responsabilizem-se por tomar as devidas previdências, a fim de aumentar essa mobilidade socioeconômica. Antes de mais nada, o Ministério da Educação deve implementar leis com projetos, para que crianças e adolescentes possam ter voz ativa e expor situações de preconceito, veladas ou não dentro do ambiente escolar, para levantar a reflexão dos alunos sobre a problemática. Também, o Estado deve investir, com verba, em melhorar a qualidade da educação pública, pois ela é a melhor forma para que a situação econômica e social da maior parte da população brasileira melhore. Tudo isso para que, a democracia racial deixe de ser um mito dentro do país e passe a ser uma realidade.