A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 12/09/2022

Mahatma Gandhi, ativista indiano, propôs a tese de que a natureza poderia supir todas as necessidades do homem, exceto a ganância. Analogamente, na realidade contemporânea, essa ideia se faz presente, uma vez que a consciência ambiental no Brasil apresenta barreiras para sua efetivação. Diante disso, torna-se essencial analisar os propulsores desse cenário: a negligência do Estado e a falha legislativa.

De início, convém destacar que o descaso governamental é um fator determinante para a ocorrência desse impasse. Nesse contexto, John Locke, filósofo contratualista, afirmava que a função do Estado era garantir os direitos do cidadão. No entanto, uma fração dos representantes do governo, ao se orientar por um viés que visa apenas o retorno imediato do capital político, negligencia a preservação de direitos sociais indispensáveis, como o acesso ao conhecimento. Em virtude dessa omissão do poder público, surge um ambiente propício para o aumento do desmatamento, já que muitas pessoas - por conta da falta de insumos informacionais- não mensuram as consequências dessa prática, como a perda da biodiversidade do planeta devido ao aquecimento global. Logo, nota-se que a inoperância estatal perpetua o problema.

Além disso, percebe-se que a frágil mentalidade ambiental é motivada pela falta de políticas públicas eficazes na correção dessa problemática. Isso ocorre porque, como já mencionado nos estudos da antropológa, Lilia Schwarcz, há a prática de uma política de eufemismos no país, ou seja, determinados entraves tendem a ser suavizados e não recebem a devida visibilidade. Sob essa ótica, é percebtível que o reduzido investimento em fiscalização de áreas sensíveis - como o Cerrado e a Amazônia- possibilita a exploração irregular desses locais por empresas que visam apenas o lucro sobre tal atividade. Sendo assim, é fundamental combater o descompasso normativo brasileiro.

Verifica-se, portanto, que a negligência estatal, em paralelo com a ineficácia legislativa, são fatores que contribuem para a manutenção desse quadro. A fim de formar um corpo social consciente, o Poder Executivo Federal - orgão responsável pela elaboração de políticas públicas - deve desenvolver projetos do governo, como palestras, que garantam o conhecimento sobre práticas ambientais.