A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 17/11/2021
De acordo com o geólogo Milton Santos, a humanidade contemporânea está inserida no meio técnico-científico-informacional, em que o ser humano interfere na natureza de maneira ativa, por meio do uso de tecnologias e de conhecimentos técnicos, para atingir seus interesses socioeconômicos. No entanto, essa realidade gerou problemas associados à falta de consciência em relação aos impactos da atividade humana no meio ambiente. Nesse âmbito, pode-se destacar a má formação educacional e o pensamento orientado à economia como fatores que favorecem a despreocupação com o meio natural.
De início, é pertinente ressaltar que o sistema educacional brasileiro atual possui falhas, pois não desenvolve suficientemente o raciocínio crítico de seus estudantes. Nesse sentido, segundo o filósofo francês Edgar Morin, conforme exposto em sua obra “A Cabeça Bem-Feita”, as instituições escolares são responsáveis por estimular o pensamento reflexivo acerca dos assuntos estudados. No contexto brasileiro, entretanto, observa-se que o ideal de Morin não é concretizado, pois as escolas não incentivam de maneira efetiva seus alunos a refletirem sobre a necessidade de se mitigarem os impactos ao meio ambiente para se garantir um meio adequado tanto para a existência humana presente e futura, quanto para a manutenção da vida animal e vegetal. Dessa forma, a carência de uma mentalidade ambiental é sustentada pelo déficit educacional.
Ademais, a predominância de ideais direcionados a ganhos financeiros na sociedade acarreta a banalização de atitudes agressivas à natureza. Nesse contexto, o filósofo sul-coreano Byung Chul-Han discorre, em sua obra “Sociedade do Cansaço”, sobre as características do comportamento humano na contemporaneidade, os quais se voltam para a busca de produções materiais em detrimento da dedicação a valores pessoais ou coletivos. Assim, o mal uso dos recursos naturais, o que é evidenciado na elevada frequência de queimadas e na intensa liberação de gases tóxicos por veículos e indústrias no país, não é questionado, pois a preocupação econômica é maior que a ambiental. Dessa maneira, é importante combater noções que privilegiam ganhos financeiros sobre o cuidado com o meio ambiente para incentivar a consciência ecológica.
Portanto, verifica-se a permanência de obstáculos estruturais no enfrentamento à falta de consciência ambiental no Brasil. Diante disso, cabe ao Estado, na figura do Ministério da Educação, investir na inserção de debates acerca dos problemas ambientais nas escolas, por meio de alterações na Base Curricular Comum, a fim de desenvolver o pensamento crítico e questionador na população e reduzir a normalização de ações nocivas ao meio ambiente. Com isso, espera-se mitigar a escassez de atenção às consequências da atuação humana na natureza.