A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 28/04/2021
Gil Vicente tece uma feroz crítica ao comportamento problemático da humanidade em “O autor da Barca do Inferno”. É possível visualizar a perspectiva vicentina na falta de consciência ambiental no Brasil, que vem ocupando o lugar de líder mundial em desmatamento, anos após ser considerado o país líder mundial em combate ao desmatamento. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema em virtude da irracionalidade e da insuficiência legislativa.
Dessa forma, em primeira análise, a falta de um pensamento irracional é um desafio presente no problema. Segundo Hegel, a razão rege o mundo. Porém, a realidade brasileira aponta para a irracionalidade na consciência ambiental no país, visto que muitos habitantes ainda não compreendem que é necessário preservar o meio ambiente para poderem ter uma vida de qualidade. Com isso, é importante abrir mão de alguns hábitos prejudiciais, como jogar lixo no chão, andar todos os dias de carro e desmatar florestas, pois essas ações há longo prazo causam consequências ruins, como entupimento de bueiros, menos chuvas e maior índice de aquecimento global. Assim, sem uma lógica que permita fazer escolhas com bom senso, o problema continua.
Em paralelo, a ineficiência das leis é um entrave no que tange ao problema. Gilberto Dimenstein explica que no Brasil as leis são inefetivas, o que gera uma falsa sensação de cidadania. Tal inefetividade é nítida nas ações inconscientes com ecossistema, uma vez que o país vem desmatando os seus biomas naturais com frequência, superando recordes no ano de 2020. Porém, mesmo com esse desastre ambiental ocorrendo, nada é feito. A lei 6.938 assegura a preservação das áreas ambientais, mas tal ação só ocorre no papel, consequentemente, gerando grandes mudanças climáticas no país em decorrer do desmatamento em áreas importantes, como na floresta amazônica. Assim, é urgente que a cidadania de papel – de que o jornalista falou- seja superada.
Portanto, faz-se necessário uma intervenção. Para isso, o Poder Público deve criar políticas públicas, por meio de investimentos na consciência ambiental e na prática das leis, a fim de reverter a insuficiência legislativa que impera. Tal ação pode, ainda, contar com pesquisas públicas para entender e priorizar as reais necessidades da população das áreas afetadas. Paralelamente, é preciso intervir sobre a irracionalidade, por meio de ações nas redes sociais com o intuito de mostrar a real importância de cuidar do meio em que se vive. Dessa forma, o Brasil poderá ter menos “cidadãos de papel”, como defendeu Dimenstein.