A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 30/03/2021

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225, declara que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, sendo esse um bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, o qual deve ser preservado e defendido pelo Poder Público e pela coletividade para as presentes e futuras gerações. Entretanto, isso não se aplica à realidade, visto que muitas empresas não respeitam as políticas ambientais atuais, o que culmina a ideia de que essas são efetivadas apenas no plano teórico. Nesse contexto, cabe analisar tanto os obstáculos para conciliar o desenvolvimento econômico com o bem-estar ambiental, quanto a falta de conscientização da sociedade.

Nessa perspectiva, é relevante abordar que o avanço econômico não veio concomitante a um planejamento efetivo de políticas ambientais. De acordo com o ecologista Hardin, “O desejo de saciar a ganância individual condena os recursos coletivos à falência”, ou seja, o fato de a maioria das empresas visarem apenas o lucro e não respeitarem as políticas ambientais existentes faz com que o meio ambiente seja explorado de forma intensiva e errônea, na qual o seu futuro, muitas vezes, não é levado em consideração. Dessa forma, por não conseguirem equilibrar desenvolvimento com gestão ambiental, inúmeros impactos negativos ocorrem atualmente, como poluição do ar, contaminação da água, devastação de florestas e alteração da fauna e da flora.

Ademais, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a baixa conscientização da população a respeito da questão ambiental. Diante de tal exposto, é evidente que a maioria das escolas não trabalham com educação sustentável, como projetos de plantio de árvores e palestras sobre desmatamento e crimes ambientais. Nesse sentido, a falta desse conhecimento nas idades iniciais faz com que as crianças não entendam a importância e a necessidade de preservar a natureza, podendo se tornar, futuramente, mais um indivíduo que desmata e agride o meio ambiente. Essa conjuntura ratifica a linha de pensamento do sociólogo Edgar Morin, ao defender que, ao invés da especialização das disciplinas, é necessário um ensino transdisciplinar.

Portanto, é necessário estabelecer novas posturas ambientais para melhorar a situação atual. Para tanto, cabe ao governo, por meio do Ministério da Educação em parceria com as escolas, informar pais e alunos, por meio de palestras e campanhas publicitárias veiculadas na televisão e na internet, acerca do tema de sustentabilidade e da legislação que envolve essa questão, além de divulgar medidas sustentáveis a serem tomadas pelo cidadão, como o uso doméstico da água, reciclagem e a compostagem para reduzir lixo com o fito de incentivar uma responsabilidade ambiental individual. Somente assim, será possível adquirir uma relação mais harmônica entre o homem e a natureza.