A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 27/03/2021
Ganância estatal. Ignorância social. Egoísmo estrutural. Esses problemas encontram-se diretamente relacionados ao vigente holocausto ambiental brasileiro, resultante do tipo de colonização a que o país foi sujeito, uma vez que, a partir da exploração portuguesa, que incentivou o desmatamento, as queimadas e a poluição de mananciais durante o período colonial, criou-se uma cultura econômica que idolatra o extrativismo e sacrifica os biomas nativos em favor de benefícios econômicos. Fazendo necessária, assim, uma análise da ação do Estado e da sociedade extrativista, como sendo os que mantêm a exploração ambiental e, consequentemente, a falta de preocupação da sociedade frente à esta.
Em vista dessa necessidade, tem-se a conjectura que o Estado se tornou um dos agentes quando, mesmo após sair do controle monárquico e diante da possibilidade de se industrializar, decidiu manter o país como um polo agroexportador. De modo a imobilizar o modelo econômico brasileiro e prover incentivos à sociedade extrativista. Ocasionando a hodierna conjectura do Brasil como a nação que mais desmata e queima a sua mata nativa, fato em que diferente do que Maquiavel defende em seu livro “O Príncipe”, o fim não justifica os meios, sendo uma prova disso as sanções que o país vem sofrendo dos demais, devido à falta de cuidados com a preservação ambiental.
Diante disso, temos que enquanto o Estado foi o responsável pela a escolha de manter a continuidade do massacre dos biomas, incentivando à sua evolução, é a sociedade extrativista, isto é, as pessoas que vivem das commodities, que o faz algo de valor econômico, alienando, dessa forma, a sociedade para a consequência de seus feitos. Um exemplo disso é o caso dos madeireiros e garimpeiros, onde devido às dificuldades financeiras, graças à falta de empregos formais, a única saída que eles veem é a exploração da natureza, sem ponderar os efeitos que poderão causar, uma vez que para eles “os fins justificam os meios”, como diria Maquiavel.
Assim, é dever do Estado como um dos causadores prover medidas que mudem a matriz econômica brasileira ou que diminuam a dependência extrativista e agroexportadora da sociedade. Para isso, ele deve elaborar um plano de incentivos econômicos para as demais áreas do mercado de trabalho, tal como de conscientização populacional sobre as consequências ambientais provenientes do setor primário. Aferindo destaque as sanções econômicas internacionais que podem vir a serem feitas caso a situação continue, com a finalidade de atingir as pessoas a partir da preocupação destas com os seus resultados financeiros. Cessando, então, a continuação do holocausto a partir desalienação social e da inserção do país em um outro modelo econômico que cause menos impactos ambientais.