A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 22/03/2021

“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.” Nessa frase, o ativista político negro Martin Luther King faz uma reflexão sobre a apatia das pessoas tidas como éticas acerca das adversidades alheias. Logo, essa postura resignada pode ser observada na realidade brasileira, já que a falta de consciência ambiental tem sido negligenciada pelas autoridades governamentais e por parte da sociedade no país. Nessa perspectiva, é interessante analisar essa questão.

Inicialmente, compreende-se que o Poder Público revela-se omisso ao não combater a ausência de consciência ambiental. Isso porque existe uma inefiência, por parte dos órgãos executivos, no processo de fiscalização das leis, uma vez que falta fiscalizar, com mais rigor, o ordenamento jurídico que proíbe a prática de crimes ambientais, por exemplo, desmatar, prejudicando, assim, a manuntenção de um meio ambiente equilibrado. Pontua-se, com isso, o desrespeito às garantias legais da população por parte do Estado, o que –sob a ótica do filósofo Jean-Jacques Rousseau– seria uma ruptura dos ideias contratualistas alicerçados no século XVIII.

Além disso, enfatiza-se que aceitar a falta de conscientização ambiental é naturalizar algo negativo. Porém, parte da sociedade tem demonstrado certa inércia diante da ausência de investimento financeiro para a promoção de políticas públicas voltadas para a preservação da fauna e flora brasileira, comprometendo, dessa forma, a luta contra a destruição das florestas e biomas do país. Recorrendo aos estudos sobre a banalidade do mal da filósofa Hannah Arendt, é possível explicar tal fênomeno, uma vez que os indivíduos, em decorrência de um processo de massificação social, têm perdido a capacidade de discernir o certo do errado.

Convém, portanto, ressaltar que a falta de consciência ambiental deve ser combatida. Logo, é necessário exigir do governo, via debates em audiências públicas, a fiscalização da legislação vigente, priorizando a inspeção, a partir do Ministério Público, das áreas com grande incidência de crimes ambientais, com o objetivo de inibir, por exemplo, a prática do desmatamento. Ademais, é de suma importância sensibilizar todo o corpo social, mediante campanhas midiáticas produzidas por organizações não governamentais, sobre não se manter uma postura inerte acerca da destruição da fauna e flora brasileira, potencializando, assim, o engajamento coletivo em prol de investimentos financeiros para promover políticas públicas voltadas à preservação do meio ambiente, a fim de intensificar a luta pelo equilíbrio das florestas e biomas do país. Desse modo, “romper” o silêncio seria um fator crucial para atenuar a resignação e, com essa postura, solucionar entraves como sintetizado no pensamento de Luther King.