A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 21/03/2021

No século XIX, desenvolveu-se, no Brasil, o Romantismo, caracterizado pelo nacionalismo e  pela valorização da natureza do país. Contudo, percebe-se que, atualmente, esses sentimentos estão se enfraquecendo, já que a falta de consciência ambiental representa um mal que perpetua na sociedade. Dessa forma, é importante analisar como a formação de uma cultura que desvaloriza o meio ambiente intensifica esse problema e promove uma economia baseada na degradação das riquezas naturais.

A priori, é válido ressaltar que, no Brasil, a falta de uma consciência ambiental está relacionada a uma construção cultural que não valoriza a importância do meio ambiente para o bem-estar social. Tal perspectiva baseia-se na teoria do “Habitus”, do sociólogo Bourdieu, o qual afirma que os indivíduos são formados de acordo com os costumes e ideologias da realidade em que vivem. A partir dessa concepção, nota-se que, ao longo dos anos, desenvolveu-se, no país, hábitos que promovem a degradação da natureza, como o simples ato de despejar lixo em locais inapropriados, além de convicções que banalizam tais atitudes e os prejuízos causados por elas. Desse modo, a falta de um maior cuidado e de ações que proporcionem a preservação ambiental devem-se à precária construção do sujeito, o qual é exposto, desde jovem, a comportamentos e ideias que desrespeitam os limites naturais e que não incentivam práticas sustentáveis, como o consumo responsável.

Ademais, é necessário destacar que a falta de consciência ambiental se reflete nas medidas adotadas por diversos setores econômicos no Brasil. Tal concepção está relacionada à teoria do economista Hugo Penteado, o qual afirma que as empresas excluem duas variáveis: o bem-estar da sociedade e da natureza, ou seja, elas realizam ações que visam alcançar o desenvolvimento financeiro, mas não se importam com os impactos a curto e longo prazo causados. Nessa lógica, percebe-se que muitos grupos ignoram os prejuízos das explorações e degradações exacerbadas em prol de um caminho mais rápido e fácil para o lucro, como a realização de queimadas e desmatamentos para a prática da agropecuária. Com base nessa perspectiva, observa-se que a carência de uma cultura que valorize e proteja o meio ambiente permite que a destruição da fauna e da flora do país permaneça.

Logo, para que a consciência ambiental seja ampliada, as escolas, principais instituições formadores dos indivíduos, devem desenvolver o senso crítico dos alunos mediante aulas extraclasse que promovam o contato com o meio ambiente, além da realização de projetos que incentivem ações sustetáveis, como a coleta seletiva, e palestras que mostrem os prejuízos da degradação, a fim de construir uma cultura consciente. Ademais, o Estado deve combater a destruição da natureza, por meio de uma fiscalização e leis mais rígidas, para que, assim, as riquezas naturais do país sejam preservadas.