A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 20/03/2021

Em  2015, ocorreu um dos piores eventos brasileiros da mineração fruto do rompimento da barragem de Mariana, Minas Gerais, como desdobramento da forte atividade mineradora na região. A então enxurrada de lama sobre o local levou à morte de pessoas, destruição de casas e habitats de espécies da fauna e flora. Apesar da lamentável tragédia ter ocorrido no passado, suas implicações são sentidas até hoje, suscitando, inclusive, debates sobre a falta da consciência ambiental no Brasil. Logo, cabe analisar de que maneira a inércia estatal no tocante a medidas de conservação da natureza, bem como a atuação da “bancada ruralista” na política reforçam o quadro atual de descaso com o meio ambiente.

Em primeira análise, é importante observar como a ausência de medidas estatais que reforcem a aplicabilidade das leis contribuem para indiferença com que é vista a natureza brasileira. Segundo o artigo 225 da Constituição Brasileira de 1988, é dever do Estado a conservação, recuperação e melhoria de áreas naturais visando o equilíbrio ecológico e qualidade de vida aos cidadãos. Nesse sentido, apesar de existir iniciativas como o PNAMA, Política Nacional do Meio Ambiente, cuja uma das atribuições é a identificação do agente poluidor e responsabilização desse pelos dados causados, sujeito à indenização e prisão, não se vê uma ativa e firme ação diante dos inúmeros casos de danos ambientais que se mantêm . Assim, a negligência com que a natureza brasileira é tratada abre margem para que a consciência ambiental não seja trabalhada e internalizada da devida maneira.

Outrossim, é válido entender como a expressiva presença da bancada ruralista na política, isto é, participação de grandes latifundiários nas câmaras estaduais e federais, atenua a falta de responsabilidade ambiental, apesar dos vínculos desses com o uso da terra. Uma vez que a principal base econômica do país é exportação das commodities, produtos de baixo valor agregado, a atuação desses políticos, mediante interesse econômico, vai de encontro às pautas preservacionistas, já que quanto mais se explora, maior é o ganho financeiro. Logo, a atuação desses representantes, responsáveis pelos rumos da nação, é impasse para a conscientização de questões ambientais.

Portanto, vê-se que a falta de responsabilidade no tratamento do ambiente é algo grave e que deve ser resolvido com urgência. Desse modo, cabe às ONGs (organizações não-governamentais) que trabalham com pautas preservacionistas, com auxílio da mídia, propagar informações que explicitem a necessidade de conservar o meio visando o bem-estar social, a fim de incentivar um maior engajamento da sociedade dentro das questões ambientais relacionadas às decisões do governo. Dessa maneira, ao fazer uso de campanhas publicitárias conjuntas, espera-se desenvolver e internalizar a consciência ambiental no corpo social como um todo, de modo a evitar possivelmente tragédias como a de Mariana.