A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 20/03/2021
O descobrimento da Agricultura, ainda no período Neolítico, é considerado uma das maiores revoluções, pois é responsável pela mudança de toda uma estrututura social. Em virtude disso, o homem passa a produzir o próprio alimento, torna-se sedentário e consegue ter um maior controle sobre a natureza, atuando como agente modelador do meio. Nesse contexto, observa-se que, desde a pré-história até a atualidade, a falta de consciência ambiental, infelizmente, tem guiado as práticas humanas e deixado rastros por onde passa. Assim, é fundamental entender o que motiva a perpetuação dessa questão, bem como seus efeitos no Brasil, com o fim de mitigar essa problemática.
Percebe-se, de início, que o negacionismo acerca do esgotamento de recursos naturais motiva a falta de consciência ambiental no Brasil. Tal questão ocorre devido a uma mentalidade, predominantemente, capitalista, em que o indivíduo põe o lucro acima das relações interpessoais e não se preocupa com os efeitos de suas ações, a ponto de não aceitar que a preservação ambiental seja mais importante que o lucro. A partir desse viés, a ativista Alanis Obomsawin expõe que somente quando a última árvore for cortada, o último rio for poluído, e o último peixe for pescado é que o homem perceberá que não pode saciar sua fome com dinheiro. Assim, é evidente que a ignorância humana presente nas práticas de desmatamento e poluição será sentida pelo próprio homem quando os bens naturais forem exauridos.
Além disso, nota-se que o ideal de produtividade da sociedade atual é uma consequência muito grave da ausência de consciência ambiental. Isso porque há uma imposição de metas inalcançáveis como forma de crescimento econômico com o objetivo de apenas aumentar a produção, o que infringe leis ambientais que terminam por comprometer o futuro das espécies. Tal ideia produz a sociedade do cansaço da qual Byung-Chul Han fala, uma sociedade que impõe metas inatingíveis que levam o indivíduo a exaustão e, consequentemente, o meio que ele está inserido também. Prova disso está nos dados divulgados pela Global Forest Watch, os quais afirmam que, em 2019, o Brasil foi o país que mais destruiu suas florestas e, em 2020, a situação piorou. Logo, essa destruição escancara as mazelas da degradação ambiental, na qual o capitalismo selvagem sobrepõe-se à sustentabilidade.
Portanto, diante desse cenário de falta de consciência ambiental no Brasil, cabe ao Poder Executivo, mais especificamente o Ministério do Meio Ambiente, promover o desenvolvimento de práticas sustentáveis. Tal ação deve ocorrer por meio de um Projeto Nacional de incentivo à preservação da natureza, o qual abordará, nos principais veículos comunicativos, a real situação ambiental do Brasil, a fim de estimular a população a adotar hábitos de consumo menos selvagens. Afinal, é chegada a hora que a consciência ambiental seja uma revolução, assim como a Agricultura, na história da humanidade.