A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 20/03/2021
De acordo com o geógrafo brasileiro Milton Santos, o espaço geográfico é formado pelo conjunto indissociável do ser humano e das relações que estabelece com o meio ao seu redor. Partindo de tal conceito, é possível perceber que desde a Revolução Industrial, o espaço geográfico mundial, sobretudo no que se refere ao Brasil, tornou-se cada vez mais predatório e desiquilibrado. Nesse sentido, a participação do país em medidas como o Acordo de Paris, oficializado em 2015 com o objetivo de reduzir os impactos das atividades humanas, embora faça parecer, não revela a tomada de consciência a respeito da gravidade das questões ambientais. Isso porque, a falta de engajamento da sociedade e a negligência governamental não permitem a efetivação do que se propõe em tão importante tratado.
A princípio, é indispensável perceber como a ausência da atuação efetiva da população tolhe o desenvolvimento de um país mais preocupado com o cenário ambiental. No hino nacional, a natureza brasileira é bastante ovacionada e afirma-se que nossos bosques são aqueles que tem mais vida. No cenário vigente contudo, o meio ambiente não se faz tão reconhecido pela sociedade, que, imergida na correria cotidiana, parece ser cada vez menos consciente sobre os efeitos de suas ações sobre o espaço natural. Tal fato pode ser observado nos 1,28% dos resíduos que são reciclados de um total de 79 milhões de toneladas produzidos anualmente no país, segundo dados da Agência Brasil.
Ademais, é válido destacar como a falta de atuação das lideranças dificulta o desenvolvimento da consciência ambiental. No poema A flor e a náusea do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, é possível inferir que deve-se destacar a flor que floresce em meio ao concreto e a agitação da cidade. No Brasil, a ausência de medidas por parte do Estado, a exemplo da fiscalização dos efeitos destrutivos que a poluição e os resíduos gerados pelas grandes empresas causam, abre margem para que tais companhias continuem a ignorar os danos ocasionados à natureza, que assim como a flor do poema, ainda tenta superar as adversidades que se estabelecem a sua sobrevivência.
Urge , portanto, o desenvolvimento de uma consciência ambiental efetiva e atuante no país. Para tanto, cabe ao Estado, em associação com as mídias sociais, estimular a percepção da situação vigente, através da elaboração de campanhas e projetos que, abrangendo todas as faixas etárias, visem despertar na população o engajamento na preservação da natureza e nas ações sustentáveis. Outrossim, é de responsabilidade do governo estabelecer de modo efetivo o que se propõe nas leis ambientais do Brasil, através de programas que busquem coletar dados sobre as questões ambientais do país, assim como fiscalizar a atuação das empresas nesse processo, a fim de incentivar a “economia verde” na nação e permitir que a flor apresentada por Drummond fixe suas raízes na pátria.