A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 19/03/2021
Ao final do século XX, no mundo globalizado, a discussão acerca da importância de preservação do meio ambiente ganhou destaque, sendo realizadas reuniões como a Rio 92, que visavam estabelecer um acordo de desenvolvimento sustentável. Em contrapartida, no Brasil contemporâneo, esse panorama de progresso não se instalou plenamente, tendo em vista que a população perpetua apresentando comportamentos insustentáveis. Desse modo, torna-se imprescindível explicitar as principais causas dessa crise: a carência no ensino e a prioridade fornecida à geração de capital.
Diante desse cenário, é pertinente frisar que a ausência da Educação Ambiental no currículo escolar é um sustentáculo central da inconsciência popular no que tange ao âmbito supramencionado. Isso porque, para incitar o pensamento de proteção ao hábitat natural, é necessária a didática que explique os danos que cada descuido -como por exemplo o descarte inadequado do lixo- pode fornecer ao meio. Nesse viés, essa aprendizagem auxiliaria a constituir tal pensamento crítico importante nas crianças que, futuramente, constituirão a sociedade. Assim, fazendo jús à teoria das Instituições Zumbis do sociólogo Zygmunt Bauman, que afirma que muitas instituições perderam suas funções sociais, mas continuam mantendo sua forma de maneira inútil, também mantendo fachadas de funcionabilidade estão os colégios, que falham em exercer seus cargos de formar indivíduos que contribuam para a manutenção do bem estar social.
Além disso, cabe inferir que a mentalidade de suprassumo do lucro no senso comum prejudica a possibilidade de mudar o quadro de pensamentos desacordados quanto à emergência do quadro da biosfera. Nesse sentido, cabe mencionar que, após a ascensão da classe burguesa da Europa na Idade Moderna, a rentabilidade descabida disseminou-se, ainda que lentamente, para todo o mundo, bem como solidificou-se a convicção de que, para obter bons resultados monetários, os possíveis prejuízos não deveriam ser considerados. Isto posto, tal despreocupação quanto às consequências produtivas, como uma herança comportamental, perdurou no homem, sustentando graves problemas naturais como desmatamento e poluição. Logo, caso esse quadro de insconsciência continue, podemos prever danos irreversíveis na natureza causados por essa produtividade sem limites.
Depreende-se, portanto, a urgência dessa problemática. É mister que o Ministério da Educação, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, decrete a inserção da disciplina ecossitêmica nas matérias obrigatórias de todo o sistema educacional. Ademais, tais aulas deverão ser ministradas por profissionais ecológicos e deverão contar com a aprendizagem teórica e prática, visando instruir esses alunos à quebrarem com a tendência egoísta antropológica.