A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 19/03/2021
O filme “Wall-E” retrata um futuro distópico no qual a Terra tornou-se inabitável, devido ao acúmulo de lixo e à poluição atmosférica. Na contemporaneidade, embora não apresente essa realidade nefasta, há dificuldades a serem superadas quanto à falta de consciência ambiental no Brasil. Sendo assim, faz-se necessário o debate a respeito do falho sistema educacional brasileiro e o modo de produção capitalista em uma sociedade desorientada.
Nessa linha de raciocínio, é fundamental ressaltar a displicência do Estado em ralação à educação ambiental, visto que o mesmo não cobra de suas instituições a abordagem de pautas ambientais como, por exemplo, o aquecimento global. Segundo o ambientalista Fritjof Capra, a crise do ecossistema é, em todos os sentidos, uma crise educacional. Assim, num cenário no qual a consciência ecológica não é debatida e ensinada nas escolas, a coletividade permanece com hábitos que ameaçam a conservação do planeta, a exemplo do uso indiscriminado de água e o consumo excessivo de carne animal. Sob essa ótica, muitos consumidores brasileiros acabam por optar por empresas insustentáveis, já que a responsabilidade com as matérias primas é pouco debatida e divulgada.
Ademais, essa atitude de seguir o caminho mais fácil e lucrativo tomada pelas empresas capitalistas trazem consequências severas que comprometem, também, a integridade física do corpo social brasileiro. De acordo com o Ministério da Saúde, houve um aumento de 14% nas mortes causadas pela poluição nos últimos dez anos. Esse dado alarmante transparece a imprudência das corporações brasileiras em descartar alternativas sustentáveis, promovendo a devastação ambiental. Dentro dessa perspectiva, para o filósofo Domenico De Mais, “Se deixarmos de projetar nosso futuro, alguém o projetará, não em função de nossos interesses, mas do seu próprio proveito”. Ou seja, uma sociedade desorientada, que não cobra por uma economia responsável perpetua a problemática, visto que, se deixarmos o mercado nas mãos de quem só visa o lucro, a porcentagem crescerá cada vez mais.
Devido à necessidade de solucionar essa adversidade, urge que o Ministério do Meio Ambiente, por via dos meios midiáticos, elabore campanhas e movimentos que estimulem o debate sobre pautas ambientais em prol da conscientização da população, bem como o incentivo de melhores hábitos alimentares. Por conseguinte, torna-se imprescindível o boicote à empresas “não sustentáveis”, associado à efetiva fiscalização por parte do Ibama, com o intuito de amenizar os impactos já causados pelo ser humano e, desse modo, deixar a realidade retratada em “Wall-E” apenas no mundo cinematográfico.