A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 19/03/2021

O filme “O Lorax” narra a história de uma cidade onde as árvores são de plástico, tudo é artificial, o oxigênio é comercializado e a natureza foi totalmente destruida. Fora do contexto cinematográfico, vê-se no Brasil um cenário semelhante, em que a fauna e flora correm vários riscos de extinção e esgotamento, decorrido da falta de conscientização ambiental, do imaginário negacionista da população e ideais individualistas de grandes latifundiários e empresas.

Em primeiro plano, cabe analisar o processo de alienação vigente na sociedade brasileira atual, a qual não enxerga a urgência de cuidar de forma ativa do meio ambiente, por meio do descarte responsável do lixo, reciclagem, economia de água, consumo consciente e compra de produtos orgânicos e de origem da agricultura familiar. Dessa forma, observa-se a completa falta de zelo pelo planeta terra e uma constante busca por ter mais e melhor. Assim, a compra de produtos de última geração movimenta o mercado, mas aumenta de forma exponencial os resíduos e descartes lançados na natureza, causando grandes e irreversíveis impactos. De maneira análoga ao pensamento do sociólogo prussiano Karl Marx, o qual disserta sobre como o processo de alienação cega a população e os aprisiona, portanto, para fugir dessa prisão é necessário se enteirar da realidade, conhecer e cuidar da natureza.

Ademais, faz-se mister salientar a ação de grandes indústrias e latifundiários como um catalizador do problema, uma vez que são os principais responsáveis pela superexploração do solo, laterização, acidificação, assoreamento dos rios, aumento de gases poluentes, chuvas ácidas e extinção de animais e plantas. Diante disso, é notória uma inversão de valores e princípios e a construção de uma identidade individualista e egoísta, comercializando a natureza em troca de espaço no mercado multinacional. Cenário que se coaduna ao pensamento do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o qual afirma que a Modernidade trouxe interesses com alteridade mínima e ponderações individualistas, de maneira que esses latifundiários e empresários passam a pensar cada vez menos no coletivo e têm suas consciências calterizadas.

Portanto, é visível que a questão ambiental no Brasil precisa ser discutida com urgência e menos altivez, para que o cenário de degradação e escassez seja visto apenas nas telas de cinema. Assim, cabe ao Poder Judiciário garantir que as leis ambientais sejam cumpridas de forma eficiênte, respeitando os limites da natureza e preservando sua diversidade de forma sustentável e inteligente, por meio de fiscalizações semestrais em fazendas e indústrias de pequeno e grande porte, aplicando multas e penas justas aos infratores. Além de conscientizar a população, por meio da TV e internet.