A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 17/03/2021
Hodiernamente, a questão da falta de consciência ambiental é pouco discutida em relação ao tamanho da sua importância. É fato indubitável que o ser humano precisa utilizar dos recursos da natureza para se desenvolver, todavia, isso deve ser feito parcimoniosamente, com olhar especial para a sustentabilidade e saúde ambiental. Como dito pelo filósofo Kant, não existe distinção entre o meio e o ser, portanto, a questão supracitada precisa ser discutida com mais veemência nas instituições sociais e estar amparada sob o égide de uma legislação suficientemente rígida quanto a má utilização dos recursos naturais, afinal, a saúde do homem é, de forma direta, o reflexo da saúde da natureza.
Antes de mais nada, é justo notar que o problema pode ser maior do que se pensa. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de agosto de 2019 até julho de 2020, mais de 9,2 mil quilômetros quadrados foram desmatados na Amazônia, o que é o equivalente a seis vezes a área do município de São Paulo. Mesmo assim, não existe grande atenção midiática quanto a essa temática. Nesse contexto, enxerga-se a displicência do governo federal, que age de forma negacionista, quando deveria, na verdade, usar da governança para incitar a discussão sobre consciência ambiental, de forma a construir no coletivo um espírito de combate as ações dessa esfera. Dado o exposto, torna-se simples compreender que a minimização do problema é ingrediente-mor para seu crescimento, que é tão danoso para o planeta, e, consequentemente, para todos que nele habitam.
Ademais, urge em nosso país uma maior austeridade no que se fala sobre as leis ambientais e seu cumprimento. Nesse seguimento, o artigo 225 da Constituição Federal de 1988 define a importância de manter o ecossistema estável através da recuperação e preservação ambiental, porém, esse postulado não condiz com a postura adotada nos últimos anos. É indiscutível o fato de que o Brasil é um país agroexportador, e, por isso, depende do uso do espaço para tal, entretanto, é preciso que isso seja feito com respaldo legal e consciência ambiental, para aliar de forma inteligente o crescimento econômico e a preservação da natureza, sem infringir as regras que versam sobre esse aspecto.
Em síntese, a questão da falta de consciência ambiental precisa debruçar-se sobre uma sociedade que conheça bem o problema, suas causas e, principalmente, suas consequências. Portanto, o Estado, através do Ministério do Meio Ambiente, deve promover palestras calcadas no tema do ambientalismo, construindo na população uma ideia mais consistente sobre a necessidade de preservar o meio em que se vive. Ao mesmo tempo, o mesmo agente deve dedicar-se ao combate do desmatamento, queimadas e demais práticas ambientais, mostrando rigidez para evitar mais ações do mesmo gênero. A partir disso, a consciência ambiental será, paulatinamente, construída no âmago da sociedade em unidade.