A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 17/03/2021

No documentário “Ser Tão Velho Cerrado”, exibido pela Netflix, cientistas e populares discutem os impactos socioambientais decorrentes da expansão da fronteira agrícola no centro-oeste brasileiro. Na obra, é evidente a violação de princípios éticos e ambientais, bem como a falta de ação por parte das instituições governamentais. Nesse sentido, é incontrovertível que, no Brasil contemporâneo, a falta de consciência ambiental é uma realidade que não se restringe à população civil e cujas motivações encontram-se diretamente atreladas a fatores educacionais e institucionais.

Sob esse viés, destaca-se como empecilho ao desenvolvimento de consciência ambiental a tênue educação voltada a essa questão. Conforme a filosofia ecocentrista, do filósofo Aldo Leopold, o princípio antropocentrista deve ser substituído pelo sistema de valores centrado na natureza. Assim, o homem é visto como parte integrante dessa e estabele com ela uma relação harmônica. Mediante o ideário, depreende-se que, nas escolas do país, a educação ambiental pautada em conhecimentos teóricos distantes da realidade do aluno, ainda que tenha certa importância, impede a percepção de integração aludida. Falta, portanto, o trato das questões ambientais de maneira específica aos contextos vivenciados por cada estudante para que, de fato, haja o fortalecimento dessa consciência.

Ademais, atua como agravante da problemática o silêncio por parte das autoridades política. A prática monocultora predatória, sobretudo de soja, atua na destruição de ecossistemas naturais, inclusive de Áreas de Preservação Permanente (APPs). Contudo, muitas vezes, apesar de constiturem-se práticas contrárias às leis, essas ações são silenciadas pelo próprio governo federal. Nesse sentido, observa-se a nítida violação à Ética Planetária do filósofo Hans Jonas, a qual afirma como dever moral do ser humano a conservação do ambiente para as futuras gerações. Como consequência, impactos ambientais como incêndios florestais tornam-se cada vez mais frequentes. Outrossim, há a naturalização de ações que violam a natureza e a prática da sutentabilidade é enfraquecida.

Tendo em vista os fatos elencados, infere-se a necessidade de medidas que visem o fortalecimento da consciência ambiental. Nesse contexto, é imperioso que o Ministério da Educação, órgão responsável pelas práticas educacionais no país, promova oficinas que transmitam os princípios ambientais de forma adaptada ao contexto de cada escola, com o objetivo de desenvolver a consciência ambiental e a integração à natureza exposta pelo filósofo Leopold. Tal medida deve ser efetivida por meio da participação de profissionais de diversas áreas do conhecimento. É, ainda, fundamental uma mudança de postura por parte do governo federal, que deve fortalecer o combate aos crimes ambientais e incentivar atividades sustentáveis. Feito isso, será, finalmente, atendida a Ética Planetária.