A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 21/03/2021

Junto com a modernidade houve a ascensão de uma compreensão de mundo através de sistemas binários, assim, o ser humano afastou-se da natureza na medida que essa passou a ser concebida como oposta a cultura. A racionalidade tecnocrata rejeita a ecologia e percebe a natureza enquanto recurso, no Brasil isso se manifesta no agronegócio focado em commodities e na busca por um padrão de consumo alinhado com sociedades ocidentais.

Atualmente o principal parceiro econômico do Brasil é a China e isso se deve a um commodity: a soja. Na segunda metade do século XX os transgênicos invadiram o mercado e tornaram possível a cultura de soja no Centro- Oeste brasileiro gerando grandes lucros. Contudo, essa tecnologia veio com um custo alto à biodiversidade que foi mascarado em nome da expansão do agronegócio, originando slogans como “o agro é pop”.

O desenvolvimentismo promove uma imagem de sucesso associada à acumulação de bens e aumento de poder aquisitivo, como é observado nos EUA e países da Europa ocidental. Porém, como já foi demonstrado em relatórios internacionais, tal padrão de consumo é insustentável em medida global. A busca por esse estilo de vida acaba por ocultar ou negar a insuficiência de matéria prima no mundo, além de resultar numa superexploração que culmina em desastres como os de Mariana e Brumadinho.

Assim, interesses de cunho econômico tornam a consciência ambiental do brasileiro turva, apoiando-se em promessas de um desenvolvimento verde ao invés de investir em movimentos como o MST (Movimento Sem Terra), iniciativa que se propõe a preservar a agricultura familiar além de lutar contra o latifúndio que move o agronegócio. Para a devida preservação do meio ambiente é necessário agir a partir de uma perspectiva coletiva condizente com a realidade material do país.