A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 16/03/2021

“Acredito na resistência do mesmo modo que acredito que não pode haver sombra a menos que também haja luz.” Nesse trecho, escrito por Margaret Atwood, em sua obra “O conto da Aia”, nota-se que, perante os problemas sociais, tomar uma postura de enfrentamento demonstra ser algo intrinsecamente natural. Pode-se tomar esse posicionamento resiliente como elemento norteador para as discussões sobre a falta de consciência ambiental no Brasil, já que, diante deste entrave, resistir é fundamental. Nessa perspectiva, é interessante analisar essa questão no país.

Inicialmente, observa-se que o Poder Público apresenta-se inerte ao não combater essa ausência de consciência. Isso porque existe uma falha no processo de elaboração das leis, uma vez que a legislação em vigor, por ser considerada branda, não tem inibido o descarte indevido de lixo eletrônico, por exemplo, em lixões de céu aberto, o que prejudica a qualidade e a segurança dos lençóis freáticos da região, contaminados, então, com materiais radioativos. Logo, verifica-se que o Estado não tem garantido o bem-estar de toda a comunidade, demonstrando, desse modo, a ruptura do contrato social teorizado pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau.

Além disso, enfatiza-se que essa ausência de consciência ambiental é um reflexo dos estereótipos que existem na sociedade. Sabe-se, pois, que o investimento financeiro estatal em fiscalização das florestas de reserva nacional tem sido marginalizado, o que se explica a partir da crença, transmitida culturalmente, de que tal ato seria um desperdício de dinheiro público, desconsiderando, porém, que o desmatamento dessas áreas pode prejudicar epécies endêmicas de animais, por exemplo. Para compreender esse cenário, pode-se tomar como base os estudos do filósofo Friedrich Nietzsche, os quais constatam que a escassez de informações deturpa a realidade.

Ressalta-se, em suma, que a falta de conscientização ambiental deve ser superada. Portanto, é necessário exigir do governo, mediante debates em audiências públicas, a criação de uma legislação mais rígida, priorizando a aplicação de multas mais elevadas para as empresas de coleta seletiva que não fizerem o descarte do lixo adequado, com o objetivo de evitar a contaminação radioativa dos lençóis freáticos. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre a importância de se reconhecer as ideologias preconceituosas existentes acerca do investimento em fiscalização de áreas de reserva florestal, potencializando, assim, a desconstrução da visão limitada de que é um gasto de fundos monetários governamentais desnecessário. Dessa forma, a resistência apresentada por Margaret Atwood não ficaria restrita à obra.