A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 16/03/2021

O documentário anglo-brasileiro “lixo extraordinário”, lançado em 2010, mostra o trabalho de propagação da importância da sustentabilidade, engajado pelo artista plástico Vik Muniz e outros recicladores, em um país que pouco fala da conscientização acerca do ambiente, mesmo sendo berço de um dos maiores aterros sanitários da américa latina - jardim gramacho. Fora do filme, mas ainda na realidade de negligência com o patrimônio ecossistêmico, a falta de consciência ambiental é uma sequela de políticas patrimonialistas, que selecionam, de acordo com o que é melhor para os que gerem, o que deve, ou não, ser visto como uma prioridade para a sociedade. Por isso, faz-se necessário analisar questões governamentais e socioeconômicas que apontam à problemática.

O primeiro aspecto a se considerar é, sem dúvidas, que a ideia de manter distante o senso de responsabilidade ambiental é um caminho para não ampliar o coletivismo, bem como uma forma garantir na sociedade o pensamento de que o ambiente, por si só, dá conta de atitudes prejudiciais ao meio. Nesse sentido, a esfera governamental faz uso da espécie de uma “política de eufemismo” como forma de não dar tanta importância ao problema, romantizando-o, para que o entrave estrutural, que com trabalhos afirmativos educacionais trariam bons resultados, seja uma desculpa a não resolução. No que diz respeito a isso, Leonardo Boff, ambientalista, embasou a teoria de que o homem ao cuidar da casa comum, visto que não é dono do monopólio da terra, é capaz de desenvolver não só a sustentabilidade, mas também o prolongamento do tecido social universal.

Para além disso, mesmo a pátria brasileira sendo ponto de destaque em liderança com maior riqueza natural, não consegue se desenvolver, no sentido agrícola, com responsabilidade. Isso acontece, pois o país ao buscar apenas o crescimento econômico e trocar o conforto por coisas, sem se atentar às consequências que isso traz aos que estão à volta, vai contra países modelos no papel da sustentabilidade, e sem perder no contexto comercial, como Suécia e Finlândia; o que leva o Brasil a permanecer, em estudos feitos em 2017, como o segundo que menos tem noção de sua realidade.

Destarte, para o Brasil ser consciente sobre a questão ambiental, medidas devem ser seguidas. O Ministério do Meio Ambiente, através das Secretarias de Meio Ambiente e Sustentabilidade, deve criar um projeto com o nome “você no ambiente”, em pátios municipais, para que sejam oferecidas oficinas mensais de responsabilidade com o espaço e com os indivíduos nele presente, com o apoio de ambientalistas e pedagogos, para que hajam debates de conhecimentos e experiências não só científicos, mas também populares. Assim, trabalhos como o de Vik Muniz e os recicladores, não serão mais fatos isolados na realidade canarinha.