A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 06/02/2021
O homem influencia o meio, e por este é influenciado. Esse aspecto, embora remonte a milênios no tempo, tem ficado cada vez mais evidente com o avanço das civilizações, que, especialmente diante após as Revoluções Industriais, têm vivido um dilema: estão divididas entre a satisfação de cobranças momentâneas do mercado e a preservação de recursos naturais, visando evitar um futuro colapso da economia e da coletividade. Entretanto, a supremacia da falta de consciência ambiental – a compreensão do meio em que se está inserido e do impacto das próprias ações nele – constitui um desafio de imprescindível superação pela sociedade brasileira.
Em primeiro lugar, é imperativo o alcance global desse problema. Diante da disseminação do “American Way of Life” e da maior disponibilidade de produtos, decorrente da industrialização, o consumismo consolidou-se como um modo de vida aceitável e, inclusive, admirado nos círculos sociais. Além disso, a obsolescência programada, definida como a produção de artefatos com curtos prazos de validade a fim de manter o mercado movimentado, é outro fator que não só contribui no esgotamento de recursos, mas normaliza atitudes prejudiciais. Dessa forma, nota-se que os princípios em que se baseia a vida na contemporaneidade impedem o uso sustentável dos recursos e inibem o pensamento crítico em relação a tal.
Ademais, os efeitos da falta de consciência ambiental evidenciam a fragilidade governamental do Brasil, país que abriga uma biodiversidade inigualável e formações de grande destaque, como a Amazônia e o Pantanal. Tal tormento ficou explícito em um discurso à assembleia geral da Organização das Nações Unidas, em que o presidente Jair Bolsonaro negou a incontestável destruição ambiental em solo brasileiro. Vale citar que, embora o Brasil já tenha se destacado na preservação da sua natureza por meio de esforços como as Unidades de Conservação, em 2019 foi o país que mais destruiu suas florestas, de acordo com a Global Forest Watch. Assim, mesmo entre os cargos mais altos, que têm o maior poder de mudança, reina a ignorância, que pode ser devastadora.
Portanto, levando em consideração o papel tanto do meio social quanto do Estado no agravamento da falta de consciência ambiental no Brasil, faz-se necessária a intervenção da mídia, em aliança com setores da sociedade, na resolução desse problema. Para tanto, a população deve se mobilizar na cobrança de intervenções estatais e, somado a isso, é de suma importância que a imprensa e a indústria do entretenimento, formadores de opinião, eliminem a apologia ao consumo na contemporaneidade por meio da adaptação de sua programação e conteúdo. Enfim, espera-se que não seja tarde demais para que tal ignorância seja eliminada, e suas graves consequências, revertidas.