A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 16/01/2021

A obra literária intitulada “Não verás país nenhum”, escrita pelo brasileiro Ignácio de Loyola, retrata, num futuro próximo, um desastre ecológico ocorrido em São Paulo que coloca em risco a sobrevivência humana. Fora da obra distópica, a inexistência de uma consciência ambiental é uma realidade no país, envolvendo não somente a sociedade como também a lógica mercantilista. Arché, divindade e matéria prima. Estas nomenclaturas explicitam as diversas compreensões da natureza durante o desenvolvimento humano, seja na sociedade grega, indígena ou industrial. Nesse sentido, atualmente, inseridas em uma lógica mercadológica que visa o lucro em detrimento da qualidade de vida, empresas utilizam recursos naturais de maneira predatória e egoísta, resultando no cruel agravamento da crise ambiental e de problemas de ordem social. Consoante a esse pensamento, a economista Rebecca Henderson afirma que o mercado só é lucrativo por desconsiderar os danos ambientais. Assim, urge a adoção de alternativas que visem a superação desse obstáculo. Ademais, é notório a predominância do individualismo e a apatia social no país. Nesse contexto, apesar da Constituição Federal em seu artigo 225 garantir o acesso à todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, a população assiste petrificada seus direitos serem vilipendiados, o que sugere uma postura negligente da comunidade. Seguindo esse raciocínio, a inércia social torna-se ainda mais grave quando é analisada a Carta da Terra, proposta na Conferência Rio 92, já que após mais de vinte anos de divulgação, uma mentalidade mais sustentável não permeia as práticas ambientalistas de muitos cidadãos brasileiros. Logo, é imperativo o protagonismo estatal a fim de educar ambientalmente a sociedade brasileira. Portanto, é imperioso a implementação de plano de ação que garanta a presença eficaz do Estado. Isso se dará através do Ministério da Educação, por meio da instauração do letramento Ambiental com a adoção obrigatória da matéria Sustentabilidade nos currículos escolares com o fito de dirimir práticas prejudiciais ao planeta e estimular ações sustentáveis. Além disso, cabe ao Ministério a elaboração de uma nova ética de consumo que possa fiscalizar o comportamento das empresas com o objetivo de revisar os procedimentos adotados durante o processo produtivo. Assim, talvez a realidade brasileira possa se distanciar de obras distópicas e garantir a perpetuação de um meio ambiente ideal às futuras gerações.