A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 15/01/2021

No decorrer do século XVIII, os poetas árcades exaltavam a natureza, destacando sua beleza, tranquilidade e a relação harmoniosa do homem com o espaço natural. No momento presente, com a consolidação do modelo de produção capitalista, a natureza passou a ser valorizada também pelo seu potencial econômico no cenário brasileiro, resultando na degradação de muitos biomas do país e no agravamento dos conflitos no espaço agrário brasileiro em decorrência da concentração fundiária.

Primordialmente, a economia brasileira - majoritariamente exportadora - tem como consequência a intensificação da exploração de recursos naturais, agravando os problemas ambientais. Embora a Constituição Federal de 1988 tenha sido uma das primeiras a deliberar amplamente sobre a questão ambiental, a aplicação das normas jurídicas pelas empresas ainda não é efetiva. Dados da organização mundial Greenpeace apontam o Brasil como a nação mais desmatada no ano de 2019. Tal realidade, portanto, evidencia que a preocupação com o meio ambiente é colocada em segundo plano, uma vez que entra em conflito com interesses econômicos.

Por conseguinte, a concentração fundiária brasileira revela, cada vez mais, as disparidades de poder no campo. O Brasil encontra-se em 3° lugar no ranking de mortes de ativistas ambientais e dos direitos humanos, segundo a ONG Global Witness. O papel que defensores da terra desempenham no combate à degradação do meio ambiente demonstra a urgência de medidas contra as indústrias de produção insustentável que agravam o aquecimento global.

Diante disso, faz-se necessário uma maior interferência do Ministério do Meio Ambiente em conjunto com órgãos de fiscalização (IBAMA) e de maior participação do Poder Legislativo, na elaboração de leis mais rigorosas, com grandes sanções aos infratores, convertendo as multas em doação para projetos ambientais de ONG’s que lutam para preservar a natureza descrita nos poemas árcades.