A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 15/01/2021

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a ele”. A afirmação atribuída a filósofa francesa Simone de Beauvoir é claramente aplicável degradação ambiental no Brasil, ao considerar que mais danosa que sua ocorrência é a indiferença da população frente a essa realidade. Por conseguinte, é impreterível que, visando a manutenção da biodiversidade do planeta, a exploração ambiental seja desenvolvida dentro dos padrões éticos de sustentabilidade, o que precisa urgentemente ser motivado pelas políticas públicas. Com efeito, há de se deliberar sobre como a responsabilidade ambiental e o capitalismo tem influência nessa questão.

É válido pontuar, de início, que a frágil aplicação dos princípios morais para com a natureza é uma das principais causas da degradação do ecossistema. A cerca disso, Hans Jonas, na obra “O princípio da responsabilidade e o biocentrismo”, disserta sobre a constante ameaça da civilização pelo poder tecnológico do homem. Nessa visão, o contraditório uso das máquinas, inverte sua lógica para qual foi criado: promover melhores condições de vida. Por conseguinte, os elevados índices de desmatamento, de incêndios e de destino incorreto de rejeitos, são uma afronta para a coerente coexistência de vida na terra. Assim, é inconcebível que, autoridades brasileiras, ante a gravidade do quadro, não invistam esforços para seu combate.

De outra parte, o liberalismo econômico figura como outro desafio dessa questão. A esse respeito, o cientistas Stephen Hawking proferiu que a ganância, a estupidez e a poluição são as piores ameaças para o planeta. Nessa perspectiva, quando surgiu a primeira revolução industrial, na Inglaterra, não era possível mensurar suas consequências ao planeta. Todavia, na atualidade, o uso da mais alta tecnologia estão a serviço da humanidade para quantificar a destruição, o que não recebe tanta atenção do Estado por não prover lucros para a máquina pública. Dessa forma, o pensamento de Hawking faz um recorte da atualidade, que, mesmo em situação alarmante não provoca nenhum procedimento para sua atenuação. Lê-se, pois, como grave, diante das danosas consequências para as futuras gerações: a ganância.

É mister, portanto, que esse cenário seja combatido no Brasil. Para tanto, o Ministério Público, na condição de fiscal da lei, deve, por meio de Ação Civil Pública, processar autoridades que permitem que explorem o meio ambiente com pouca - ou nenhuma - responsabilidade. Essa iniciativa do MP teria por objetivo problematizar a questão ambiental no país, e assim mobilizar a sociedade civil, desconstruindo-lhes a inércia. Feito isso, muito em breve, a questão ecológica, conforme delata Hans Jonas, será atenuada com base na aplicação da lei.