A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 13/01/2021

O célebre escritor indígena Ailton Krenak afirma que a humanidade foi afastada do organismo do qual é parte: a Terra. Nesse sentido, o pensador defende que o planeta e os seres humanos são uma unidade, e, sendo assim, tudo é natureza. Entretando, a perspectiva de Krenak não é a predominante no Brasil, haja vista a falta de consciência ambiental, que corrobora o desgaste da fauna e da flora no país. Com efeito, a superação desse problema passa não apenas pela desconstrução do pensamento capitalista, como também da irresponsabilidade das grandes empresas.

Diante desse cenário, vale ressaltar que a pouca consciência ambiental é promovida pela compulsão consumista da sociedade contemporânea. Nesse viés, desde a Primeira Revolução Industrial, no século XVIII, o capitalismo intensificou e normalizou a ideia de que é preciso comprar mercadorias e consumir sem limites. Tal narrativa, presente nos dias atuais, não leva em consideração o preço ecológico que isso acarreta. Desse modo, toda a poluição gerada - a exemplo os gases de efeito estufa , como o CO² - e a quantidade de recursos naturais gastos são desprezados em valorização ao consumo exacerbado, e, como resultado, isso provoca a irreflexão da população acerca da preservação da natureza. Logo, não é razoável que consumismo ainda coopere negativamente para o bem estar do Brasil.

Além disso, é importante salientar que as empresas nacionais e multinacionais não se comprometem com a questão ecológica. Sobre esse aspecto, o famoso documentário  “Esqueça os banhos curtos”, de 2015, mostra - de forma crítica e bem elaborada -  que o agravamento da crise ambiental é, majoriatriamente, culpa dos grandes centros de produção, apesar das campanhas publicitárias sobre preservação focarem no cidadão comum. Assim, como demonstrado no curta, a consciência ambiental tem que surgir do alto escalão dessas indústrias, para que permeie o restante da sociedade. Dessa forma, enquanto os grandes empresários brasileiros ignorarem o meio ambiente, a construção de uma nação preocupada com a natureza será uma utopia no país.

Portanto, para que a consciência ambiental seja realidade, cabe ao Ministério da Educação, por intermédio de parcerias com as secretarias estaduais de meio ambiente, criar nas escolas um projeto nacional de combate ao consumo sem limites, com a realização de oficinais e palestras acerca do impacto do consumismo sobre os recursos naturais do país. Junto a isso, implementar na gestão das grandes fábricas a educação sobre medidas  eficazes que minimizam a devastação da fauna e da flora. Ademais, o conjunto dessas duas ações poderia se chamar “Ao proteger o planeta, você protege a si mesmo” e teria a finalidade de alavancar a preocupação com o meio ambiente , de sorte que a visão ambientalista de Krenak  seja a predominante no Brasil.