A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 12/01/2021
Dados divulgados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais revelam um aumento de 34% nas taxas de desmatamento entre 2019 e 2020 no país. Nesse contexto, fica evidente a falta de consciência ambiental do atual governo brasileiro. Assim, entre os principais responsáveis por tal situação estão o negacionismo científico e a prevalência dos interesses do agronegócio frente à preservação ambiental. Dessa forma, é imprescindível que medidas sejam tomadas a fim de ampliar o debate acerca das questões ambientais e promover uma maior conscientização e atuação em prol do meio ambiente.
Em primeiro lugar, a despreocupação ambiental brasileira é reflexo do crescente negacionismo científico no país. Portanto, os conhecimentos acerca das consequências do desmatamento e do aquecimento global, por exemplo, são relativizados, em uma sociedade marcada pelo retrocesso científico. Tal retrocesso torna-se nítido quando se analisa os cortes de verba das universidades e institutos de pesquisa, realizados pelo governo no início de 2019, e o fortalecimento dos discursos negacionistas. Diante disso, torna-se necessário salientar a importância não só da preservação ambiental, mas também das pesquisas que buscam compreender as causas e consequências das ações antrópicas no meio ambiente.
Por outro lado, existe no Brasil uma preponderância dos interesses do agronegócio perante a preservação ambiental. No entanto, tal conjuntura vai de encontro com os princípios de sustentabilidade determinados pelos acordos dos quais o Brasil é signatário, como o Acordo de Paris, que estabelece como objetivo o desenvolvimento sustentável. Ademais, conforme a teoria utilitarista, defendida por Jeremy Bentham e John Stuart Mill, as ações humanas devem buscar sempre o maior benefício coletivo. Com base nisso, as ações sustentáveis são aquelas que garantem a existência das gerações futuras, ao privilegiar ações que garantam o bem coletivo em detrimento dos interesses particulares.
Logo, é essencial que medidas sejam tomadas com o objetivo de proporcionar um maior debate sobre os desequilíbrios ambientais e criar mecanismos para contornar seus efeitos. Para isso, cabe ao Ministério da Educação a formação de cidadãos críticos e conscientes acerca da importância da ciência e do papel do homem na preservação do meio ambiente, por meio de aulas, debates e palestras sobre educação ambiental nas escolas brasileiras. Além disso, o poder legislativo, aliado ao Ministério do Meio Ambiente, deve ser responsável por garantir o cumprimento da legislação ambiental, através da maior fiscalização do agronegócio, visando impedir a expansão da fronteira agrícola além dos limites estabelecidos por lei. Somente assim será possível minimizar os efeitos por trás da falta de consciência ambiental no país e buscar medidas para reverter tal situação.