A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 12/01/2021
O Artigo 225, da Constituição Federal, declara que todos os cidadãos têm o direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado e é dever da sociedade e do Estado preservá-lo. Contudo, a falta de consciência ambiental por parte da população brasileira impede que essa diretriz entre em pleno vigor. Logo, é possível afirmar que tal impasse decorre tanto pela ausência de uma educação voltada para o cuidado à natureza, quanto pela negligência governamental.
Nessa conjuntura, é de caráter basilar a menção ao importante papel das instituições de ensino na construção da consciência ecológica. Todavia, a educação ambiental no país é escassa e inconsistente, fato que colabora na fragilização da responsabilidade civil com a natureza. Acerca disso, cabe citar o físico Fritjov Capra, o qual afirma que a crise ambiental é, acima de tudo, uma crise de educação. Dessa forma, é compreensível que, sem a adequada orientação, a sociedade perpetua comportamentos arriscados, os quais prejudicam a biosfera.
Outrossim, urge analisar a atitude indiligente do Estado com o ecossistema. Sobre isso, os discursos negacionistas de autoridades políticas nacionais, que tentam minimizar a gravidade dos impactos ambientais, contribuem para legitimar e manter a degradação ecológica. Isso ocorre pois os interesses do governo estão alinhados aos daqueles que causam a degradação dos biomas: agropecuários e extrativistas. Tal situação é perceptível no próprio discurso do ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, que, em meio ao cenário de pandemia, tentou convencer os políticos a flexibilizarem leis de proteção à natureza para propiciar a criação de gado. Assim, nota-se que tal situação restringe o desenvolvimento de uma consiência ambiental e contribui para que desastres - como o rompimento da barragem de Brumadinho - e crimes - como as queimadas na Amazônia - ecológicos tornem-se recorrentes.
Dessarte, é dever do Ministério da Educação promover o letramento ambiental nas escolas, por meio de palestras, seminários e projetos acadêmicos e artísticos - haja vista a necessidade de debater-se a Ecologia com o rigor da ciência, mas também com o caráter catártico da arte. Essa medida tem o intuito de desenvolver, desde cedo, uma ética da responsabilidade com a biosfera nos cidadãos. Ademais, é importante que a sociedade civil, liderada por uma vanguarda ecologicamente consciente, pressione o Estado por uma postura mais firme e prudente com a natureza, a fim de mitigar a negligência e, portanto, combater os impasse ambientais.