A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 11/01/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 225°, o direito à um meio ambiente ecologicamente equilibrado como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não é efetivada na prática quando se observa a manutenção de uma cultura de objetificação do ambiente, impulsionada pela omissão do Estado, o que acaba por gerar uma barreira na criação de uma consciência ambiental na população. Diante disso, faz-se imperiosa a adoção de medidas que ajudem a superar os empasses que impedem a criação de uma cultura ambiental ecologicamente equilibrada.
Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que a ausência de medidas governamentais que visam a manutenção e a criação de paisagens sustentáveis, é um fator que favorece a persistência de uma sociedade pautada no desprezo dos cuidados ambientais . Isso acontece, principalmente, pois o Estado, ao não propor medidas que preservem e permitir ações que degradam o meio ambiente, influencia diretamente a população e mantém a visão da natureza como objeto.Essa conjuntura, segundo John Locke,configura-se como uma violação do “Contrato Social”,já que o estado não cumpre sua função de propor medidas que façam jus ao direito de uma sociedade pautada em uma ideologia sustentável.
Ademais, é preciso explicitar que esse cenário também impede que haja a criação de uma consciência sustentável na população.Nesse sentido, através da persistência desse quadro de objetificação do espaço,torna-se ainda mais difícil criar cidadãos que exerçam sua cidadania com senso crítico quanto ao cuidado ambiental. Podemos observar, por exemplo,que durante a Primeira Revolução Industrial, na Inglaterra, o tratamento da natureza como meio de produção repercutiu no agir da sociedade ao fazer com que as pessoas tivessem dificuldade de enxergar o espaço como forma de preservação, o que dificultou uma ação cidadã consciente similar ao que ocorre no Brasil.
Depreende-se, portanto, a necessidade de superar esses obstáculos para fazer jus ao direito garantido na Carta Magna. Para isso, é preciso que o Ministério do Meio Ambiente, em diálogo com o Ministério da Educação,crie uma comissão de debates ecológicos, que terá como função a criação de projetos de leis e de programas de reabilitação do meio ambiente em locais onde haja maior vulnerabilidade de preservação. Além disso, é imprescindível que esse órgão crie nas escolas de nível básico e médio,programas de educação ambiental para os estudantes, oferecendo uma interação lúdica e educacional entre o Estado e os jovens quanto ao tratamento sustentável. Assim será consolidado uma sociedade aonde o Estado cumpre seu " Contrato Social" e investe em consciência ambiental.