A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 13/01/2021

Em seu livro “As Obras do Amor”, o filósofo Kierkegaard defende que a sociedade reconhece facilmente o perigo do fogo ao ver a fumaça, embora negligencie e honre outros riscos, tão danosos quanto, como a difamação. De modo semelhante, existem problemas habituais que não despertam o sinal de alerta, tal como a grave falta de consciência ambiental no Brasil. Além disso, porque ainda existe uma mentalidade exploratória da natureza, a origem desse problema se deve a uma educação deficiente. Assim, entre os fatores que produzem esse quadro, pode-se destacar: a negligência governamental e uma visão capitalista da escola.

Nesse contexto, se o descaso dos gestores públicos é verdadeiro e gera a falta de um ensino escolar adequado, logo, a consequência é a desvalorização do meio-ambiente no país. Sob essa perspectiva, a lamentável hipótese da negligência política, infelizmente, se confirma, uma vez que muitos administradores da nação priorizam interesses partidários, negociações ilícitas e obras faraônicas (que rendem votos e capital político), em detrimento da formação educacional dos cidadãos. Desse modo, ao não educar, o país assemelha-se ao antigo Império Romano que preferiu manipular o povo com a política do pão e circo do Coliseu. Por conseguinte, a má gestão dos governantes produz indivíduos sem consciência ambiental que depredam a natureza.

Ademais, se é fato que a uma escola que prioriza o mercado origina alunos mal educados em áreas essenciais, logo, o resultado é a ausência de uma consciência ambiental. Partindo desse pressuposto, a visão escolar que visa ao lucro se confirma, uma vez que o vestibular se tornou o fim de muitas instituições e todo o esforço é canalizado para o ensino dos conteúdos desses exames, ao invés do aperfeiçoamento ético do estudante. Em decorrência disso, o foco pedagógico em aprovações produz pessoas insensíveis aos malefícios ambientais de suas más condutas, ao estimular a competitividade e individualismo. Logo, o diagnóstico do médico sanitarista Miguel Pereira, que disse que o Brasil é um grande hospital, continua atual, dado que a imprudência escolar gera um jovem irresponsável que não pensa na conservação do ecossistema, o que produz sérios problemas de saúde pública.

Portanto, com o objetivo de superar a negligência política e a visão mercantil da escola que contribuem para a falta da valorização ecológica no país, importa que: o Governo crie o “Plano Nacional Coexista”, por meio da formulação de um decreto federativo (após amplo debate com biólogos); e as escolas produzam conteúdos de preservação ambiental, por intermédio da construção de uma rádio escolar (com a participação de professores e alunos). Assim, a sociedade será educada sobre o perigo da ausência de consciência ambiental – tão danosa quanto pode ser o fogo.