A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Em meados do século XX, o artista plástico Cândido Portinari retratou, na obra “Os Retirantes”, uma família que sai de uma região a outra em busca de melhores condições de vida. Semelhante ao cenário evidenciado pelo autor, muitos brasileiros protagonizam, hodiernamente, uma peregrinação em busca da consciência ambiental por parte da coletividade. As demandas para combater os danos causados ao meio ambiente no Brasil, no entanto, são deturpadas devido à inobservância governamental e à intolerância gerada na mentalidade social.

A princípio, a negligência do Estado é um fator importante quando se observa os crescentes índices de desmatamentos para uso da pecuária ou especulação. Segundo o pensamento de Nicolau Maquiavel, em seu livro “O Príncipe”, um governante tende a tomar decisões estratégicas que mantenham sua posição de liderança. Tendo isso em vista, é esperado que o investimento dos líderes em leis mais rigorosas e fiscalizações mais firmes para quem pratica ações degradantes contra a natureza seja negligenciado em detrimento de pautas mais populistas, que garantem mais votos. Assim, a manutenção do poder de muitos gestores no Brasil ocorre às custas da destruição dos biomas brasileiros.

Ademais, outro ponto determinante à discussão é o fato de que a propagação de valores que põem em risco a ambientalidade brasileira potencializa a problemática. Consoante Hannah Arendt, em “A banalidade do mal”, a população tende a realizar cada vez mais atitudes intolerantes e destrutíveis pois essas ações são naturalizadas na sociedade, como é o caso da caça e das queimadas em toda a extenção do país. Assim, o meio que se encontra o indivíduo tende a ditar até que pontos determinadas práticas são aceitáveis, o que abre margem para que esses atos sejam cada vez mais banalizados. Portanto, uma mudança nos valores da sociedade é essencial para que a consciência ambiental seja a protagonista nos dias atuais.

Em vista desses fatos, é indubitável que medidas são necessárias para resolver o impasse. Primeiramente, cabe ao Governo, em parceria com a grande mídia, atuar na raíz do problema ao produzir campanhas que operem na conscientização ambiental dos cidadãos, com o objetivo de diminuir os problemas na fauna e flora causados pela ação antrópica. Paralelamente, cabe às ONGs promoverem a distribuição de cartilhas informativas que tenham a finalidade de orientar os indivíduos a compreender seu papel na luta por um meio ambiente saudável, a fim de que todos podem se sensibilizar a ajudar na resolução do impasse. Desse modo, será possível que as obras de Portinari não transmitam, ainda hoje, o Brasil do século XX.