A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 11/01/2021

A partir da Revolução Industrial, o aumento da produtividade intensificou não só a exploração dos recursos naturais, como também a recorrência de impactos ambientais. Diante disso, embora existam fóruns e práticas mundiais que buscam amenizar os prejuízos e conscientizar as práticas humanas, no Brasil tal responsabilidade em relação à manutenção do meio ambiente não tem se reverberado. Isso se deve, sobretudo, à inconcistência educacional e à sobreposição dos interesses econômicos.

A priori, a abordagem de ensinamentos sobre questões ambientais é essencial para a formação de consciência e, desse modo, a Política Nacional de Educação Ambiental os estabelecem em todos os níveis de formação. Todavia, percebe-se uma falta de eficiência no cumprimento legislativo, pois, mesmo que a teoria seja divulgada em salas de aula e muitas pessoas consigam replicar as orientações expostas em livros e campanhas da mídia, a falta de infraestrutura das escolas públicas e a pouca adequação dos profissionais às mudanças curriculares dificultam a elaboração de ações práticas. A partir disso, existe uma contraposição à Teoria da Substância do filósofo Aristóteles, em que o conhecimento em essência é inseparável ao mundo material, já que, nesse caso, existe um abismo entre a difusão de informações teóricas e o exercício de habilidades básicas como a reutilização e a reciclagem. Logo, a falta de engajamento ao meio ambiente deve-se à precariedade educativa do país.

Ademais, tal comportamento é resultado da prevalência de objetivos econômicos. Isso pois, consoante ao sociólogo Émile Durkhein, em uma solidariedade orgânica, típica do capitalismo presente no país, existe o afastamento da consciência coletiva e, com isso, nota-se a minimização das consequências da exploração ambiental para a vida das próximas gerações. Dessa forma, seja mediante o desmatamento e expansão da agropecuária, seja pela emissão de gases e efluentes tóxicos pelas indústrias, a escassez de responsabilidade se torna evidente. E, se não há preocupação estatal em aumentar a rigorosidade regulamentária perante tais ações, não há como conter o avanço dessa problemática.

Diante do exposto, a falta desse comprometimento no Brasil decorre de inúmeros fatores. E, para reverter esse cenário, urge que o Ministério da Educação ofereça mais suporte para a implementação da educação ambiental, financiando a elaboração de projetos de arborização em espaços públicos e criando áreas verdes dentro das escolas, destinados ao manuseio dos alunos, a fim de promover a prática e, em efeito, estimular a responsabilidade. Além do mais, cabe ao IBAMA - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente - aumentar o controle sobre a exploração dos recursos naturais, mediante o aumento da fiscalização nas indústrias e rastreamento das fronteiras agrícolas, no intuito de aumentar a aplicabilidade de leis e penalizações, para que, assim, se recupere a consciência coletiva.