A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 11/01/2021
O artigo 125 da Constituição Federal Brasileira postula como direito humano o gozo de um meio ambiente preservado, sendo esse estado de preservação de responsabilidade do governo e da sociedade. Entretanto, a configuração ambiental brasileira diverge da idealizada, visto que habitamos em um país em que há evidente desequilíbrio entre crescimento econômico e conservação ambiental. Nesse contexto, tanto influências políticas de interesse particular, quanto a base da economia canarinha configuram-se como empecilhos ao alcance de uma cadeia produtiva sustentável, urgindo coesão governamental para reverter tal cenário degradante.
Primeiramente, é imprescindível destacar a interferência no âmbito legislativo realizada por algumas camadas políticas, que procuram, por meio da defesa de certas pautas, atingir objetivos particulares com interesses lucrativos. Nesse sentido, é de conhecimento público a existência da bancada ruralista - membros do congresso que apoiam interesses de grandes produtores, e, por muitas vezes, fazem parte do grupo-, que em razão de sua influência na esfera política, procuram afrouxar certas leis ambientais para legalizarem, por exemplo, o avanço de fronteiras agropecuárias sobre áreas florestais preservadas. Por conseguinte, há alterações na fauna e na flora que atingem biomas por completo, como é o caso da gradual desertificação do cerrado, divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente.
Ademais, cabe mencionar também a inter relação da base econômica exportadora brasileira e suas consequências ambientais negativas, quando não administrada de forma consciente. Nesse enquadramento, convém remeter que tal conjuntura baseia-se na produção e exportação de commodities -produtos naturais, vendidos em larga escala-, que propiciam a extensão da utilização de terrenos e a uso excessivo de agrotóxicos para maior produção. Dessa maneira, o manejo do solo torna-se impróprio, há poluição hídrica das localidades, e lixiviação do solo, que contribui para o abandono de regiões originalmente produtivas e ascensão da taxa de desmatamento anual para avanço agropecuário, como apontado em pesquisas do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Portanto, a fim de balancear as influências rural e ambiental no Congresso, é dever de Organizações não Governamentais -como Greenpeace Brasil- demonstrarem apoio político à candidatos que destaquem a pauta sustentável, por meio de divulgações das participações deles em resolução de problemas do âmbito nas redes sociais, visando o maior alcance possível. Ademais, cabe ao Ministério da Tecnologia, desenvolver conhecimentos tecnológicos que impulsionem a produção agropecuária de modo sustentável e rentável, para evitar o avanço da apropriação de terras. Assim, cumprir-se-á a responsabilidade ambiental das esferas social e governamental destacada no artigo 125 da Constituição Federal.