A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 08/01/2021
Em 1988, Ulisses Guimarães promulgou a Carta Magna - norma de maior hierarquia brasileira - e estabeleceu, em seu artigo 225, que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Todavia, a falta de consciência ambiental demonstra que a premissa de Guimarães está distante de se tornar realidade na sociedade pós-moderna. Com efeito, as questões que envolvem essa problemática passam pela educação e pelo egocentrismo.
Em primeiro plano, persiste, na nação verde-amarela, um problema histórico e cruel relacionado ao meio ambiente: a falta de educação. Nesse sentido, Paulo Freire, renomado sociólogo e pedagogo, disserta, em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, que a educação consiste na ferramenta mais poderosa para conscientização individual e coletiva. Nessa óptica, para reverter o cenário inconsequente de destruição dos recursos naturais é imprescendível fazer uso da estratégia defendida por Freire, ou seja, educar a população. Isso ocorre, pois, essa configura-se como forte aliada na construção do senso crítico e consequentemente no desenvolvimento da cultura de responsabilidade socio-ambiental nos cidadãos. Assim, enquanto a falta de educação for regra no Brasil, o respeito à natureza será exceção.
Em segundo plano, o egocentrismo afeta a dignidade humana. Nesse viés, o filósofo Adam Smtih, considerado pai do liberalismo econômico, defende que o progresso é fruto da busca por interesses particulares. Contudo, não é plausível e inteligente aceitar a perpetuação da justificativa apregoada por Smith para acumular capital e degradar o meio ambiente. Outrossim, explorar de forma irresponsável e individualista os recursos naturais fragiliza à manutenção dos biomas e deprecia a qualidade vida do povo. Logo, enquanto se mantiver no país, a nação será obrigada a conviver com um dos mais severos prejuízos sociais: o desrespeito ao direito constitucional do meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Portanto, para garantir a premissa de Guimarães, o Ministério da Educação, como ente responsável pela politica nacional de ensino, deve, com urgência, reformular a matriz curricular de ensino, por meio da inclusão da disciplina de preservação ambiental, a fim de disseminar entre os alunos do nível básico ao superior medidas e comportamentos que promovam o uso racional dos recursos naturais. Por sua vez, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, órgão incumbido da gestão ambiental nacional, combater o egocentrismo, por meio de campanhas na rádio e TV, com a finalidade de conscientizar o corpo social sobre a necessidade de preservação dos ecossistemas com adoção de práticas de desenvolvimento sustentável. Destarte, o Brasil alcançara o status de Estado Democrático de Direito.