A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 08/01/2021

Segundo a historiadora brasileira Marilena Chauí, os animais são seres naturais, os humanos, culturais. Nesse sentido, a afirmação dela corrobora a ideia de que as pessoas são reflexos inegáveis do meio em que vivem e que a cultura direciona as escolhas e a conduta de cada um. Assim sendo, essa análise pode ser facilmente aplica à questão da falta de consciência ambiental no Brasil, já que é a normalização desse problema que faz com que a sociedade conviva passivamente com essa situação degradante. Dessa forma, essa ausência de reflexão ocorre devido à atuação ineficiente do Estado e graças ao pensamento coletivo equivocado da população.

Antes de tudo, o governo brasileiro lida com essa situação de forma incompetente. Sob esse viés, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na Amazônia, a área desmatada foi de 9,7 mil km² em 2019, 29,3% a mais em relação a 2018. Nesse contexto, esses números demonstram que a legislação para com o meio ambiente é lacunosa. Outrossim, esse descaso gera outra consequência, pois se o Estado, a entidade máxima que representa o povo, está se descuidando em relação a essa adversidade, significa que a população também está habilitada a ignorar essas situações degradantes. Dessa maneira, as entidades governamentais devem dar exemplo, atuar de forma responsável nessa questão e gerar compreensão no referente à ambiência.       Ademais, as concepções errôneas da sociedade acerca do meio ambiente contribuem para essa ausência de conscientização.Nessa perspectiva, Émile Durkheim defende que o fato social é a maneira coletiva de pensar. Desse modo, se as pessoas crescerem em um contexto social no qual os impactos das ações humanas na natureza são banalizados e ignorados, é provável que repliquem essa filosofia. Destarte, para que haja mudança na mentalidade social, é necessário romper com os paradigmas sociais pré-estabelecidos de que o meio ambiente pertence a humanidade e pode se recuperar sozinho das más atitudes antropológicas, e criar discernimento em relação aos locais naturais.

Portanto, é imprescindível desnaturalizar esse fato social de banalização e atuar de forma sistemática nessa questão. Assim, o Ministério do Meio Ambiente, com o apoio da ONG Greenpeace, deve, por meio de verbas públicas, criar um plano de atuação ambiental. Dessarte, esse projeto atuaria em duas vertentes: tanto na criação de políticas de preservação e combate ao desmatamento, quanto na elaboração de palestras de conscientização ambiental. Desse jeito, esses eventos seriam realizados em todo país, com entrada gratuita e ocorreriam em espaços públicos, contando com a presença de ambientalistas que expliquem de maneira didática como tratar bem o meio natural. Em suma, a partir dessas ações, a ambiência seria preservada e essa problemática seria solucionada na nação.