A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 06/01/2021
Em 1972, a Conferência de Estocolmo foi pioneira ao debater a degradação do meio ambiente como resultado da ação antrópica, sendo o primeiro passo para o surgimento da noção de desenvolvimento sustentável. Nessa perspectiva, quase cinco décadas após esse marco, no Brasil ainda é perceptível a perpetuação de um comportamento social ausente de consciência ambiental, sendo estruturado, por sua vez, em uma cultura consumista, e sem uma educação de qualidade que consigam transpassar a importância da preservação dos recursos naturais.
Em primeiro lugar, é importante destacar o Estado como principal propagador de conhecimento na sociedade moderna. Nesse sentido, a ausência de medidas públicas que visem proteger e conservar o meio ambiente reflete não apenas na sua degradação, mas igualmente na criação de uma população sem educação ambiental, sendo a mesma ocasionada pela escassez de informações de qualidade sobre o tema e a inexistência de interesse por parte de um governo maior. Dessa forma, segundo Immanuel Kant, “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, evidenciando, então, o papel crucial da educação como formadora de pensamentos e atitudes.
Faz-se, mister, ainda, salientar a cultura consumista como impulsionadora da falta de consciência ambiental no Brasil. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, o mundo atual é marcado por uma sociedade de consumidores, em que o ato de consumir individualmente é a expressão máxima da participação social contemporânea, gerando status e satisfação pessoal. Paralelamente, a necessidade crescente de posse da população capitalista em conjunto à incapacidade natural de assimilar e absorver todas as inovações tecnológicas, que surgem de forma diária, acabam resultando também na produção exarcebada de lixo e na cultura do descarte. Nessa perspectiva, de acordo com uma pesquisa do G1, 76% dos brasileiros não praticam o consumo consciente.
Depreende-se, portanto, a urgência de ações interventivas com o fito de amenizar o quadro. Para isso, o Ministério da Educação, por meio de palestras e debates em instituições de ensino, deve promover de forma acessível a educação ambiental, com o auxílio de profissionais do âmbito das ciências biológicas e da geografia, que são capazes de informar e explicar os efeitos problemáticos que atitudes antrópicas geram na natureza. Além disso, é frucral o incentivo ao consumo consciente na vida adulta, buscando, então, atingir essa faixa etária através de comerciais de televisão e campanhas publicitárias que enfatizem a necessidade de produzir menos lixo urbano. Feito isso, será possível construir um corpo social mais atento às questões ambientais e com capacidade de autoregular-se, visando um país mais harmônico com o meio ambiente.