A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 05/01/2021
A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, no artigo 255, o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, quando se observa a problemática da falta de consciência ambiental no Brasil. Dificulta-se, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro, os quais estão relacionados não só à ausência do Estado, como também ao papel da sociedade frente a essa questão.
Deve-se destacar, de início, a ausência de medidas governamentais para combater tal problemática. Nesse sentido, segundo Rousseau, na obra “Contrato Social”, cabe ao Estado viabilizar ações que garantam o bem-estar da população. No entanto, nota-se, no Brasil, que a a falta de consciência ambiental rompe com as defesas do filósofo iluminista, uma vez que não há medidas sólidas e eficazes, por exemplo, no manejo do lixo urbano, com coletas seletivas e aterros sanitários. Dessa forma, é inaceitável que, em pleno terceiro milênio, a maioria do lixo coletado não tenha um destino apropriado e acaba por contaminar o meio ambiente.
Ademais, é fundamental apontar a sociedade como impulsionadora do problema no país. Sob esse viés, segundo dados divulgados no site G1, menos de 50% das famílias brasileiras praticam o consumo consciente. Diante de tal exposto, faz-se uma relação do consumismo com a consciência ambiental, já que a lógica capitalista de produção e consumo exacerbado tem uma série de implicações no ambiente. Como exemplo disso, cita-se degradação de várias áreas para a obtenção de recursos naturais e a produção de lixo, pois não há uma lógica sustentável nessa ação, cada vez compra-se mais, mais recursos são usados e mais lixo é produzido. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério do Meio Ambiente, por intermédio de investimentos em infraestrutura e campanhas educacionais, introduza um sistema de coleta seletivas e eduque a população a respeito do consumismo. Nesse viés, as campanhas devem mostrar os benefícios para o planeta quando se faz um consumo consciente e a infraestrutura para coleta de lixo deve ser capaz de dar um destino adequado ao lixo, de modo que não haja desperdício dos produtos que possam ser reciclados. Assim, será consolidada uma sociedade mais limpa, na qual o Estado desempenha corretamente o seu papel, tal como afirma Rousseau.