A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 04/01/2021
No fim do século XIX, Júlio Verne, em “2000 Léguas Submarinas”, vislumbrara para o futuro uma sociedade moderna, mergulhada na evolução e no otimismo. A pós-modernidade corrobora, em parte, para as projeções do autor, mas a compactuação da sociedade e a ineficácia estatal fomentam a falta de consciência ambiental no Brasil.
Mormente, o complexo cenário da aceitação da sociedade corrobora com comportamentos que negligenciam o meio ambiente. Sob essa análise, Michel Foucault em seu livro “Vigiar e Punir” disserta sobre a naturalização, processo pelo qual certos comportamentos são entendidos como naturais, por meio da intensa repetição. Desse modo, é possível constatar que a sociedade ao repetir e aceitar comportamentos danosos à fauna e flora promove e torna natural a falta de consciência com o ecossistema.
Outrossim, a ineficácia estatal consubstancia maiores desafios. Esse paradigma político alicerça-se na inação do Estado em relação a essa pauta, visto que, muitas vezes, o governo beneficia-se da compactuação da sociedade para atender sua agenda fisiologista, que prioriza suas próprias causas em detrimentos das demandas populacionais. Essa conjuntura governamental pode ser compreendida à luz da reflexão de Maquiavel que, em “O Príncipe”, desvelou a necessidade de o governante conduzir suas ações visando sempre perpetuar o seu poder, entretanto, para avultar a consciência ambiental não parece ser a melhor estratégia.
Em suma, faz-se necessária a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Portanto, urge que o Ministério da Educação promova, por meio de verbas governamentais, palestras nas instituições de ensino desde a mais tenra idade afim de que haja conscientização ambiental pelos mais jovens. A palestra deverá ser mediada por profissionais qualificados e, preferencialmente, com o acompanhamento dos responsáveis, para que eles possam entender e repassar a importância do tema proposto. Ademais, é preciso que o Ministério do Meio Ambiente promova a adoção de princípios e estratégias para a proteção e recuperação do meio ambiente, além do uso sustentável dos recursos naturais e a valorização dos serviços ambientais por intermédio de políticas públicas. Dessarte, a sociedade contemporânea estará mais próxima do que Júlio Verne vislumbrou para o futuro.