A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 02/01/2021
Em 1992, a ONU promoveu a conferência da Terra e lançou metas a serem aplicadas pelos países, a fim de preservar o meio ambiente. Entretanto, a iniciativa das Nações Unidas não foi efetiva no Brasil, já que, em regra, a sociedade ainda carece de consciência ambiental. Isso ocorre, sobretudo, pelo interesse privado das autoridades, bem como pela apatia social.
Convém ressaltar, a princípio, uma das principais causas dessa problemática: a ambição das autoridades públicas. A esse respeito, o conceito conhecido como “Cordialidade” foi criado por Sérgio Buarque de Holanda e diz respeito à inabilidade de valorizar o interesse coletivo. Ocorre que não há como desenvolver uma consciência ambiental com atitudes cordiais por parte do poder público, que se omite ante os impactos ambientais promovidos por grandes empresas - agronegócio, contrutoras, mineradoras -, o que leva a desastres como os que aconteceram nas barragens de rejeitos em Brumadinho e Mariana. Desse modo, enquanto a cordialidade do Estado e das grandes empresas for a regra, o meio ambiente sofrerá.
Outrossim, a postura apática da sociedade agrava esse cenário. Nesse viés, o filósofo contratualista Jean Jacques Rousseau defendia a tese segundo a qual os cidadãos são responsáveis por todos os rumos de uma sociedade democrática. Todavia, os indivíduos contemporâneos são incapazes de colocar em prática a responsabilidade descrita por Rousseau, quando não fazem a sua parte para preservar o meio ambiente e não cobram do poder público ações de preservação, abandonando à própria sorte ecossistemas e biomas. Logo, é incoerente que o corpo social não prese pelo meio em que vive.
Fica evidente, portanto, a necessidade de medidas para desenvolver uma consciência ambiental na pátria-canarinho. Para que isso ocorra, o Ministério Público, na condição de fiscal da lei, deve, por meio da Ação Civil Pública, processar as autoridades que permitem que grandes empresas explorem o meio ambiente com pouca - ou nenhuma - responsabilidade, a fim de que o meio ambiente seja preservado. Ademais, o indivíduo, deve, por intermédio do seu senso crítico, agir em prol do meio ambiente, e fazer sua parte no cotidiano, como não desperdiçar água, priorizar transportes que não poluam o ar, com o fito de que se desfaça a apatia social existente. Somente assim, haverá uma consciência ambiental e a iniciativa da ONU será efetiva no país.