A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 13/01/2021
O filme de animação “O Lórax” retrata Thneedville, uma cidade que sofre com problemas ambientais absurdos, - como o fato de não existirem árvores e de o ar ser obtido artificialmente - mas cuja população, ironicamente, é feliz por ser inconsciente à gravidade desse desequilíbrio. Tal situação pode ser encarada como uma representação caricata da sociedade brasileira, a qual vive, em sua maioria, alheia aos desafios ecológicos do país e, portanto, é incapaz de ajudar a superá-los. Nesse sentido, atuam para aprofundar essa falta de consciência ambiental tanto a falha do poder público, quanto o imediatismo contemporâneo.
A princípio, as questões ambientais não são tratadas com ênfase suficiente nas escolas brasileiras. Sobre isso, o Artigo 225 da Constituição Federal de 1988 estabelece que é dever do governo do país promover a conscientização pública para a preservação ambiental, através da educação. Contudo, essa norma constitucional não é concretizada, e um exemplo disso é a carência de mobilização popular diante de tragédias ecológicas graves, como os extensos incêndios ocorridos na Floresta Amazônica em 2019, denunciados pela organização Global Forest Watch. Dessa maneira, as autoridades públicas falham em cumprir seu papel legal, e sua omissão favorece a perpetuação do estado de carência reflexiva do povo brasileiro, o que impede o combate coletivo aos problemas ambientais.
Ademais, a cultura do imediatismo predominante na sociedade hodierna também contribui para a falta de consciência ambiental no Brasil. A esse respeito, em sua obra “Choque do Presente”, o professor estadunidense Douglas Rushkoff afirma que o ser humano atual vive em instantes prolongados, se preocupa apenas com o presente e negligencia o futuro. Sob essa perspectiva, o debate público acerca da necessidade de preservação ambiental é prejudicado, pois as pessoas tendem a ignorar os possíveis impactos futuros para focar somente no que as afeta agora. Nessa lógica, é preciso alertar a população brasileira acerca da importância da adoção de uma postura comunitária ativa na prevenção de catástrofes ecológicas.
Sendo assim, é necessário que o governo do Brasil saia de sua inércia para incentivar a conscientização ambiental pública. Em vista disso, o Ministério da Educação deve tornar parte da Base Nacional Comum Curricular a disciplina de Educação Ambiental, com carga horária mínima de duas horas semanais, que trate sobre os principais problemas ambientais enfrentados mundialmente e estimule o diálogo acerca da necessidade e das formas de combate a eles. Essa medida objetiva fomentar, desde a infância, a formação de indivíduos esclarecidos e ativos em relação às questões ambientais, o que colaborará para que o povo saia de sua inconsciência.