A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 30/12/2020

A primeira Revolução Industrial, cujo cerne foi o desenvolvimento de máquinas a vapor e de locomotivas, transfigurou a visão humana acerca do meio ambiente, a qual enxergou o incrível potencial enérgico que poderia ser extraído da natureza como, por exemplo, o carvão. Nesse sentido, ao passo que a sociedade foi evoluindo-se, o uso exacerbado de recursos naturais tornou-se um problema, em virtude das consequências da degradação ambiental. Paralelamente, na hodierna conjuntura brasileira, tal questão implica na urgência do desenvolvimento da consciência ecológica; entretanto, para alcançar esse objetivo, é necessário não só o movimento pragmático estatal, mas também a mudança no sistema arcaico de ensino nas escolas.

Em primeiro plano, infere-se o filósofo John Locke, que atesta ser o dever do Estado, segundo o contrato social estabelecido por ambos, garantir os direitos dos cidadãos como forma de atingir o equilíbrio social. Sob tal óptica, tendo em análise a preeminência do cuidado ambiental para a formação de uma sociedade saudável e revolucionária, é indubitável a inadimplência governamental em contemplar o desenvolvimento ecológico, enquanto esse, assegurado na Constituinte de 1988. Dessa forma, dentre as negligências, pontuam-se: o predomínio de lixões a céu aberto, em detrimento de aterros sanitários, o ínfimo controle das áreas de preservação, o intenso desmatamento, além do assoreamento de rios e lagos. Por isso, é imperativo a anulação desse decante cenário brasileiro.

Em segundo plano, consoante à pedagoga Vera Maria Candau, o sistema educacional vigente está preso nos moldes do século XIX, o qual mostra-se incapaz de conter as inquietudes atuais. Com efeito, o ensino técnico empregado nas escolas, voltado apenas para o progresso pessoal, em exclusão do coletivo, corrobora para um pensamento individualista e egocêntrico. Nesse ínterim, é ignorada a educação em prol de práticas de compostagem, de descarte seletivo do lixo e de sustentabilidade. Dessa maneira, é imprescindível elucidar nas instuições, também, as responsabilidades ambientais.

Evidencia-se, portanto, que medidas devem ser tomadas com o intuito de mitigar a falta de consciência ambiental no Brasil. Para isso, é mister ao governo federal em parceria com o Ministério da Educação, promoverem modificações tanto na infraestrutura do país -produção de aterros sanitários, melhor gerenciamento das áreas de preservação permanente (APP) e a apreensão dos envolvidos nas queimadas e desmatamentos- quanto na superestrutura -propor alternativas lúdicas que deem enfoque na educação ambiental, através das matérias de biologia, química e geografia-. Assim, por intermédio do direcionamento organizado dos impostos de renda, poder-se-á superar as consequências das Revoluções Industriais e concretizar um corpo social evoluído ecologicamente.