A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 30/12/2020
Em seu livro “Utopia”, Thomas More imagina uma sociedade esclarecida, em que todos são capazes de participar ativamente de um processo transformador de conscientização. Diante disso, é lícito afirmar que, no que concerne à consciência ambiental, o Brasil está distante do ideal de More, pois o país ignora medidas que potencialmente minimizariam processos ambientalmente impactantes em escala nacional. Assim sendo, faz-se mister desvendar as origens legislativas e analisar as consequências constitucionais dessa problemática, a fim de propor caminhos para combatê-la.
Em primeira instância, é fulcral ressaltar a insuficiência legislativa como perpetuadora desse cenário deletério. Segundo Aristóteles, a política tem a função de preservar o bem-estar coletivo entre as pessoas de uma sociedade. Entretanto, diferentemente do pressuposto do filósofo grego, isso não ocorre no Brasil, visto que a falta de atuação estatal acerca da criação de leis que assegurem a consciência ambiental no território nacional - fiscalizando espaços públicos, por exemplo, com o propósito de punir agressões à natureza - permite que processos ambientalmente impactantes sejam uma realidade contundente no país. Logo, para aproximar-se do pressuposto de Aristóteles, a passividade do governo deve ser superada.
Além disso, as repercussões desse imbróglio são incontestáveis. Por esse ângulo, convém salientar que a atual crise ambiental está diretamente relacionada à falta de consciência no território nacional. Nessa lógica, a natureza encara desafios nocivos, como queimadas e desmatamento, fenômenos que afetam a qualidade de vida e a saúde dos brasileiros. Isso é um grave problema, uma vez que, conforme a Constituição Cidadã, garante-se à população a inviolabilidade do direito ao bem-estar social, o que destoa da realidade do Brasil, dado que, de acordo com o site de notícias G1, uma em cada nove pessoas sofre de doenças relacionadas a processos ambientalmente impactantes no país. Portanto, evidencia-se a necessidade de enfrentamento desse empecilho, de modo a cumprir a Lei Maior.
Finalmente, para combater a falta de consciência ambiental no Brasil, o Estado, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, deve criar novas leis. Tal efeito pode ser alcançado por meio de um plano intitulado “Impacto Zero”, tendo como objetivo a fiscalização de espaços públicos - como praças, jardins e parques -, com o propósito de punir agressões à natureza, o que, consequentemente, asseguraria o bem-estar social dos brasileiros, bem como cumpriria os direitos e as garantias fundamentais da Constituição Cidadã. Dessa forma, criar-se-á uma sociedade esclarecida e política, tal qual ocorre nos pressupostos de More e Aristóteles, respectivamente.