A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 30/12/2020
O filósofo francês, Jean Paul Sartre diz que o ser humano não possui uma essência que o defina de imediado, mas sim de acordo com o modo que vive. Assim, infelizmente, a maneira que o brasileiro desfruta de sua vida e natureza tornaram-se insustentáveis, devido a falta de consciência ambiental. Nesse contexto, o entendimento das questões da natureza é um desafio no Brasil em decorrência não só de suas causas, que estão nas raízes históricas, mas também por gerar consequências terríveis, como doenças e mazelas para a população.
Convém ressaltar, a princípio, que o povo brasileiro carrega um triste legado histórico imposto por sua colonização depredatória, no século XVI. Nesse sentido, é possível encontrar, desde muito cedo, uma escassez de consciência ambiental em nosso território, tendo em vista que todos os ciclos econômicos: Pau-Brasil, açúcar e ouro, depredaram ou deixaram uma sequela grave em nossa natureza. Dessa forma, segundo dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) restam apenas 12% da cobertura vegetal original da Mata Atlântica, importante bioma que compreende todo litoral de nosso país. Diante disso, é fundamental perceber, que até mesmo hoje, os sistemas de governo do Brasil, raramente, são conscientes em zelar pelos habitats, ecossistemas e nossas riquezas ambientais, haja vista que seus principais interesses são econômicos.
Tendo o exposto em vista, lamentavelmente, esses atos negligentes de origem histórica influenciam demasiadamente em nossas vidas hoje. Nesse aspecto, o desmatamento de grandes florestas para construir indústrias, além da utilização de queimadas para desenvolver a agricultura geram consequências irreparáveis em nossa sociedade. Logo, o homem do século XXI, não possui consciência dos limites de suas condutas em relação à natureza e promove um desequilíbrio ambiental em massa, gerando enchentes, extinção de espécies e possibilitando o surgimento de novas doenças, como o Covid-19. Desse modo, o grande filósofo da era moderna Thomas Hobbes, já dizia: “O homem é o lobo do próprio homem”. Essa ideia evidencia o quanto a falta de consciência humana, ambiental ou social faz o ser humano responsável por suas próprias mazelas.
Infere-se, portanto, a necessidade de desconstruir o péssimo legado histórico de depravação ambiental para promover a consciência na população. Destarte, cabe ao Ministério do Meio Ambiente aliado às escolas construir projetos pedagógicos que ensinem a importância da natureza para a sociedade. Essa medida deve ser feita por meio de visitas a biomas com espécies em risco de extinção, a fim de que haja entendimento dos jovens sobre a autoconsciência e a preservação ambiental para o futuro de nosso país. Somente assim, construiremos um país com uma nova “essência”, de acordo com Sartre.