A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 28/12/2020
Promulgada em 1988, a Constituição Federal brasileira prevê o direito a um meio ambiente equilibrado e ao bem-estar social como garantias basilares. No entanto, a alarmante falta de consciência ambiental dos gestores e cidadãos, como um todo, impede que tais direitos previstos na Carta Cidadã sejam colocados em prática. Isso se deve não só ao descaso governamental como à passividade das instituições de ensino.
Deve-se pontuar, de início, que os altos índices de degradação ambiental nos dias atuais derivam, em parte, da inércia estatal para com a fiscalização das atividades de elevado impacto aos ecossistemas. Segundo o filósofo contratualista John Locke, é dever do Estado garantir os direitos naturais e o bem-estar social, entretanto isso não ocorre no Brasil. Desse modo, o avanço da fronteira agrícola sobre o Cerrado, o Pantanal e a Amazônia, principalmente, tem devastado extensas áreas de vegetação nativa sem que haja qualquer tipo de repressão ou punição a essas práticas. Assim, o prejuízo à biodiversidade e o desequilíbrio climático são consequências imediatas que tornam tal realidade insustentável.
Ademais, faz-se mister ressaltar a ausência de iniciativa das escolas quanto à conscientização dos jovens para a necessidade de preservação ambiental, como um dos agravantes dessa problemática. Consoante o educador brasileiro Paulo Freire, “se a educação sozinha não pode mudar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda.” Partindo desse pressuposto, percebe-se que o atual modelo de ensino, ao se pautar em métodos tecnicistas e expositivos, impede o desenvolvimento de um senso crítico no discente que possibilite uma mudança de postura. Com isso, tem-se uma sociedade altamente consumista e ecologicamente inconsequente, o que contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Portanto, a fim de promover a conscientização da população brasileira para a questão da preservação ambiental, necessita-se que o Ministério da Educação inclua no currículo escolar básico disciplinas teóricas e práticas de sustentabilidade e gestão ambiental. Tal ação deve ser viabilizada por meio da qualificação dos docentes e estabelecimento de diretrizes para aulas de campo e visitações em biomas regionais. Espera-se, com isso, despertar nos jovens a responsabilidade ambiental necessária à preservação da natureza e da vida das gerações futuras.