A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 23/12/2020
As transformações que ocorreram com a Revolução Industrial redefiniram, de forma expressiva, as relações socioambientais a partir do século XVIII. No entanto, o Brasil ainda apresenta dificuldades em concretizar políticas que valorizem o meio ambiente, especialmente por parte da população. Isso se deve, em grande parte, à fragilidade legal e educacional persistente no país.
Em primeira análise, nota-se, por parte do sistema legislativo brasileiro, a ausência de leis satisfatoriamente efetivas para promover a conscientização ambiental, comprometendo a tese de Pierre Bourdieu. O sociologo acredita que os mecanismos criados pela democracia direta não devem ser convertidos em instrumentos de opressão simbólica. Nessa perspectiva, o estabelecimento precário de leis, no que concerne à penalização rigorosa de práticas insustentáveis - como o descarte de cigarros em ambientes secos -, é responsável por tornar o Estado um agente perpetuador dessa problemática.
Ademais, é evidente que a metodologia rudimentar utilizada em muitas instituições de ensino dificulta, frequentemente, a ampliação populacional da consciência ambiental. Sobre isso, o educador Paulo Freire defende, no livro “Pedagogia do Oprimido”, que o ensino é uma ferramenta libertadora cujo objetivo é despertar a criticidade do aluno. Entretanto, a introdução de atividades didáticas adaptadas para desenvolver habilidades cognitivas ambientalmente sustentáveis ocorre de forma limitada no Brasil, banalizando o ideal proposto por Freire.
Portanto, medidas devem ser efetivadas para equacionar o quadro em questão. Logo, o Ministério da Educação e Cultura (MEC), por meio de anexos à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) - como a obrigatoriedade de horas-aula sobre a valorização da sustentabilidade ambiental -, deve impulsionar a percepção social acerca da importância de uma relação harmônica com os recursos naturais. Com isso, espera-se que haja, no Brasil, a integralização de características sociais sustentáveis.