A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 23/12/2020

Difração

Sob a ótica da escritora Hannah Arendt, no termo “banalidade do mal”, a falta de reflexão do ser humano gera graves lesões a sociedade.Todavia, o meio social permeia uma realidade antagônica a este postulado filosófico, dado que persiste na falta de uma mentalidade crítica sobre a importância da coletividade e do pertencimento da natureza, o que concebe uma escassa preocupação com o meio ambiente.Nesse cenário, é preponderante discutir os elementos que nutrem essa imobilidade perniciosa.

Deve-se pontuar, de início, a atuação perversa da escassez do pensamento ao coletivo social.Na modernidade com a adoção do movimento Iluminista, a visão do homem se tornou o centro do universo e contribuiu para a construção do individualismo.Esse fato se reflete na manutenção de uma sociedade fragmentada que detém dissipado o senso de comunidade, o qual é essencial para promover a manutenção da preservação ambiental a fim dos benefícios vindouros para todo o grupo social.Dessa forma, inexistência de um pensamento comunitário contribuiu para que atitudes sustentáveis que objetivam o cuidado com a natureza, como a reciclagem e a coleta seletiva, sejam depreciadas e analisadas de forma indiferente.

Outrossim, além da complacência com um individualismo danoso, a carência de um senso de pertencimento à natureza auxilia na insensibilidade.Segundo Zygmund Bauman, no termo “adiaforização”, há a perda de empatia e sentimendo na sociedade moderna.Dentro dessa lógica, a contrução de uma mentalidade que separa o aspecto ambiental com o humano incita essa ínfima preocupação e frieza do homem com os impactos destrutivos.Sendo assim, a apatia é fortalecida em mediante ao afastamento do meio natural, o que menospreza a dimensão das graves consequências das ações antrópicas, como a poluição de rios e florestas.

Fica nítido, portanto, que ao contrário da recomendação de Hannah Arendt, a escassez de um caráter analítico sobre a coletividade e a inércia frente às ações tóxicas para a natureza se conserva e  arrefece a consciência ambiental.Nesse prisma, é vital que o Ministério da Educação arquitete um projeto com palestras e atividades entre os alunos nas escolas que exponham a importância da coletividade e solidariedade para dissipar a influência do individualismo.Ademais, que as empresas televisivas e de streaming realizem séries e documentários que apresentem as atitudes prejudiciais aos recursos naturais para degenerar a falta de sensibilidade.Com esses atos, ocorrerá a difração, termo da física referente a ultrapassar obstáculos, da consciência ambiental em meio ao empecilho da irreflexão.