A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 20/12/2020

O advento do século XXI trouxe consigo a urgência de repensar e de criar formas sustentáveis de inter-relação entre a sociedade e a natureza. Como resultado de tal necessidade foi redigida a Carta da Terra, documento que visa os deveres necessários ao cuidado das diversas interfaces do planeta, sendo a integridade ecológica relacionada com todas elas. No entanto, é notória a inconsciência da sociedade frente à própria responsabilidade com a dinâmica ambiental ovacionada pelo atual governo brasileiro, que se manifesta com descaso em relação aos recursos naturais, isentando a sua própria participação política relacionada à salvaguarda de tais recursos. Desse modo, cabe aos movimentos sociais pressionar os órgãos encarregados de promover a preservação no país, além de lutar por uma educação que democratize o debate da sustentabilidade, de forma a trazer para o campo cultural e artístico tal assunto. Ademais, é necessário alertar-se, não apenas à forma como os recursos naturais são consumidos pela sociedade moderna, mas à própria abordagem sobre esses temas pela sociedade. De acordo com o indígena Ailton Krenak, o distanciamento do homem civilizado da natureza dificulta a assimilação de sua dinâmica e o impede de sentir o efeito de suas ações nela. Para tanto, segundo Ailton, é importante que haja o ensinamento pelos povos que mantém como tradição o diálogo com a preservação, sobre o contato com a natureza às novas gerações, principalmente as que vivem em grandes centros urbanos. Outrossim, o apoio a festivais como o CineEco, em Portugal, que em 2018 abordou os efeitos da exploração do meio ambiente em comunidades nativas, são ferramentas imprescindíveis para que tal ensinamento aconteça, de forma a fomentar a consciência ambiental da sociedade. Da mesma forma, também devem receber prestígio práticas socioeconômicas sustentáveis, como a agrossilvicultura, que é capaz de converter áreas degradadas em produtivas e diversas, a exemplo da fazenda de Ernst Gotsch, agricultor suíço que cunhou o termo agricultura sintrópica e a exerceu no Brasil. Em suma, tendo em vista o pensamento do Ailton Krenak de que a natureza não é governável, deve-se, então, estabelecer o autogoverno da sociedade, para que seja possível criar uma relação com a natureza na qual seus mecanismos sejam os reguladores das ações antrópicas, e não o contrário. Sendo assim, é dever da população pressionar o Ministério do Meio Ambiente à criação de um regulamento que cobre das empresas dinâmicas sustentáveis em relação ao meio ambiente, disponibilizando insumos aos praticantes da agrossilvicultura. Ademais, um projeto de lei deve ser criado, de forma que caiba ao Ministério da Educação instituir o cumprimento das pautas da Carta da Terra nas escolas públicas e privadas. Dessa forma, seria possível atenuar os impactos ambientais, de forma a criar uma sociedade consciente de suas ações frente à preservação do planeta.