A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 18/12/2020
“Minha terra tem palmeiras onde canta o Sabiá” esse trecho do poema “Canção do exílio” de Gonçalves Dias revela o culto à natureza presente no Romantismo no Brasil. Todavia, com o advento da Revolução Industrial, houve uma ruptura dessa visão romântica da natureza que perdeu o seu prestígio em torno do capitalismo o que resultou na falta de consciência ambiental projetada na atualidade. Sob esse viés,o capitalismo desmasiado atua como um precursor da falta de ética diante à natureza e a restrição de informação sobre os impactos como uma perpetuadora dessa realidade.
A princípio, é notável a existência da supressão do meio natural atrelado à valorização do ciclo consumo-lucro que compõe o capitalismo e ocorre em detrimento a consciência ambiental o que resulta em seu descaso.Nessa perspectiva, o capitalismo é o principal indutor da falta de responsabilidade ao manuseio da natureza, visto que, é enaltecido um modo de vida conduzido pela obsolescência programada - isto é, o curto período de funcionalidade intencional dos produtos- que visa um descarte inconsciente e uma utilização desenfreada dos recursos naturais. Esse fato pode ser ratificado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, em seu livro “Modernidade Líquida”, o qual retrata a sociedade do consumo contemporânea e o aprisionamento da sociedade nesse sistema, em conformidade à isso, há a corroboração da população com a destruição da natureza para, assim, se adaptar ao estilo de vida baseado no capital.
Em uma segunda análise, a limitação de informação quanto aos danos causados ao meio ambiente, através do manuseio superexplorado da natureza, é a responsável pela manutenção desse descaso. Nesse viés, isso acontece devido ao não esclarecimento à população a respeito dos hábitos sociais nocivos ao meio natural, a exemplo do consumo inconsciente de carne que contribui no agravamenento do efeito estufa. Essa falta de conhecimento gera uma alienação da sociedade diante da problemática ambiental, levando-a a ser uma perpetuadora dos danos ao ambiente. Sob essa ótica, essa realidade é discutida pela filósofa Hannah Arendt que trás o conceito de “mal banal” o qual mostra que a sociedade acometida por esse mal permanece alienada, ou seja, sem consciência de seus atos de modo a não enxergar sua culpabilidade em torno do desgaste ambiental.
Portanto, há uma necessidade do resgate a valorização da natureza para que haja uma efetiva redução dos danos ambientais. Dessa forma, o Ministério da Educação deve atuar na transmissão das informações a cerca dos impactos ambientais e a necessidade de mudança de hábitos nocivos, isso deve ocorrer por meio de aulas e trabalhos obrigatórios que abordem os temas, essas aulas devem orientar o cidadão a formular práticas alternativas a fim de reduzir os impactos causados a natureza.