A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 17/12/2020

Promulgada em 1988, a Constituição Federal, documento mor da República do Brasil, garante a todos os cidadãos o direito pleno ao lazer e a um meio ambiente ecologicamente sustentável. De forma semelhante, Francis Bacon, filósofo inglês, detinha os pensamentos de que só era possível vencer a natureza obecedendo-lhe. Porém, infelizmente, a realidade atual está distante da idealizada, questão que deve ser abordada e discutida. Uma das razões para a falta de consciência ambiental no Brasil é a necessidade da população de se viver em um espetáculo, num culto excessivo à imagem, bem como a falta de políticas públicas que impeçam que tais irresponsabilidades ecológicas ocorram.

Em primeiro lugar, é necessário discutir a obra “A Sociedade do Espetáculo” do filósofo francês Guy Debord, em que é exposto como a sociedade do século XXI vive num constante frênesi de se estar e viver em um espetáculo, num sentido extremo em que as relações sociais são mediadas por imagens. De forma complementar, os filósofos alemães Adorno e Horkheimer, da Escola de Frankfurt, em “A Dialética do Esclarecimento”, explicam como a indústria foi alterada de modo a massificar e dominar os individuos por meio de interesses padronizados, com uma homogeneização nos meios comunicativos, como filmes, TV, redes sociais, ou seja, facilitada pelo culto à imagem presente. Dessa forma, os indivíduos, imersos em realidades próprias, não possuem consciência ambiental ou do que os cerca.

Ademais, segundo Jean-Jacques Rosseau, filósofo suíço contratualista do século XVIII, na política, tal como na moral, é um grande mal não fazer bem. Consequentemente, conforme dados da Forest Watch, no ano de 2019, o Brasil foi líder mundial na destruição de florestas. No que se refere à ausência de consciência ambiental, pode-se verificar, de ambos os lados, cívil e político, uma ausência de pensamento crítico referente ao meio ambiente. Além disso, deve-se atentar que, desde a Revolução Industrial ocorrida no século XVIII, houve a implementação de diversos maquinários e processos altamente prejudiciais à natureza, tornando a questão ambiental ainda mais urgente e importante.

Portanto, são necessárias medidas de intervenção para a desvalorização da natureza no Brasil. Urge que o Ministério da Comunicação crie um projeto que viabilize a criação de cartilhas e panfletos com objetivo de conscientizar a população para os problemas ambientais atuais do Brasil. Essas cartilhas devem ser distribuidas em escolas, ruas movimentadas e divulgadas pela internet, com conteúdo atual  e atualizado sobre quais problemas o ecossistema brasileiro está enfrentando. Ainda, o Ministério do Meio Ambiente deve estudar e planejar um esquema de leis a ser entregue à Câmara dos Deputados que tenha como principal objetivo reformular todo o sistema de manejamento do meio ambiente brasileiro, priorizando a sustentabilidade. Dessa forma, é possível lutar por um Brasil mais ecológico.