A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 18/12/2020

Os povos nativos brasileiros possuem uma relação harmoniosa com o meio ambiente, pois os elementos da natureza, para eles, têm uma simbologia religiosa e, por isso, cuidam e conservam os ecossistemas onde vivem. De maneira oposta a esses comportamentos, a postura dos cidadãos não indígenas, tanto do espaço urbano, como do espaço rural, a qual objetifica o meio natural, sem estabelecer uma cautela com seus limites e necessidades, é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática da falta de consciência ambiental no Brasil, seja pela ausência de uma educação ecológica coletiva, seja pela negligência estatal.

Em primeiro plano, é importante apontar a carência de uma ecoeducação como uma das principais causas do problema. De acordo com o sociólogo Émille Durkheim, a socialização é o meio pelo qual os indivíduos aprendem e interiorização valores de determinada sociedade. Nesse sentido, a não aquisição de uma compreensão ambiental pelo coletivo se deve a falta de ensinamento dela. Isso faz com que os mais jovens, pelo fato desse panorama ser anterior aos seus nascimentos, adotem, pela vivência em grupo, a conduta do desleixo para com a natureza e a perpetuem para as gerações seguintes. Dessa forma, fica claro a indispensabilidade de uma modificação social, para que os que estão por vir não tenham uma realidade extramamente lesada pelas ações da população de hoje.

Cabe ressaltar, em segundo plano, o descaso do Estado como impulsionador da problemática. Em concordância com o filósofo renascentista Nicolau Maquiavel, o objetivo principal dos governantes é a manutenção do poder, e não a promoção do bem comum. Nessa perspectiva, ao analisar a grande crise ambiental que assola o Brasil, fica perceptível a falta de interesse dos governantes em solucionar essas questão. Isso ocorre porque a iniciativa e a implatação de condutas que mitiguem a crise, propriamente dita, e instaurem uma forma mais sustentável de viver e fazer política, não necessariamente trariam poder para aquele(s) que as faça(m). Desse modo, as autoridades negligenciam esse entrave, prejudicando o bem-estar social.

Diante dos fatos supracitados, fica evidente a urgência de mudanças. É preciso, portanto, que a mídia, grande difusora de informação e principal veículo formador de opinião, aborde a necessidade de se ter atenção e responsabilidade com o meio ambiente. Isso pode ser feito por meio da promoção de campanhas que exibam  os danos causados ​​à fauna e flora, e os impactos gerados aos seres humanos, para que se crie uma consiência ambiental na sociedade. Somente assim, um vínculo mais equilibrado, como o dos povos indígenas, será estabelicido com a natureza e as gerações futuras poderão desfrutar do que ainda resta do mundo natural.