A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 19/12/2020
Henry David Thoreau, filósofo naturalista norte americano do século XIX, na obra “Walden - ou a vida nos bosques” - retrata sua experiência de dois anos em isolamento autossustentável na floresta de Concord (Massachusetts). O autor, durante o texto, deixa claro que a natureza humana tem uma íntima relação, quase que transcendental com o meio natural. Entretanto com a crescente industrialização e urbanização as pessoas se distanciam cada vez mais desse sentimento e acabam por destruir seu próprio habitat. Nesse sentido, a falta de consciência ambiental no Brasil é um problema que deve ser debatido, haja vista suas consequências para toda a população.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que o governo atual favorece a manutenção da problemática em questão. Isso porque a política antiambiental e anticientífica adotada por esses governantes vem se mostrando desastrosa para os biomas brasileiros. Só no 1º semestre de 2020, segundo o INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais -, o Brasil perdeu um território do tamanho de Porto Alegre da floresta Amazônica. Em contrapartida, o Ministério do Meio Ambiente, ao invés de liberar os quase 3 bilhões de reais do “Fundo da Amazônia” para combater tais crimes, vem tomando medidas para afrouxar legislações ambientais a fim de beneficiar grandes fazendeiros. Logo, é inadmíssive que esse cenário se mantenha.
Ademais, o sistema capitalista vigente impacta diretamente na consciência ambiental da população. Segundo o próprio Thoreau, neste modo de produção o meio natural só tem valor financeiro, isto é, como fornecedor de recursos naturais, os quais possibilitam a produção industrial em massa e por conseguinte, o lucro de alguns. Estima-se que os seres humanos utilizam 45% acima da capacidade de recursos que a terra pode proporcionar. Essa compreensão da natureza, como sendo “submissa” aos seres humanos é a responsável pelos piores desastres ambientais que ocorrem em todo o mundo, pois os interesses econômicos sempre sobressaem os interesses de preservação.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater a falta de consiência ambiental no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, criar uma matéria de cunho obrigatório, cujo nome será “Educação Ambiental”, ministrada por biólogos, ecologistas e especialistas no assunto, a fim de formar cidadãos que compreendam a importância da preservação do meio natural para a manutenção da vida no planeta terra. Dessa forma, será possível restabelecer essa conexão com a natureza, como acreditava Thoreau.