A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 29/12/2020

Na obra literária “O Guarani” do escritor brasileiro José de Alencar é apresentada uma convivência harmoniosa entre homem e natureza. Todavia, o contexto nacional hodierno de desmatamento e poluição demonstram a negligência social e política quanto aos recursos naturais do Brasil, o que decorre da ausência da consciência ambiental, seja pelo pouco destaque dessa área no processo educativo, seja pela conduta governamental imprudente.

Concernente à temática do ensino que vise práticas sustentáveis, há um descumprimento da legislação brasileira. Essa premissa é relacionada a Lei da Educação Ambiental que estabelece a obrigatoriedade da difusão de contéudos que visem a conservação dos recursos naturais, todavia, é perceptível a inviabilidade dessa ação em algumas instituições de ensino, como no caso de escolas públicas, em que a falta de professores e materiais dificulta o ensino da questão ambiental. Desse modo, a consciência social acerca do meio natural não é desenvolvida desde a base, como o estabelecido na Lei.

Ademais, a desassistência do poder público para problemáticas ambientais demonstra a desvalorizção que a fauna e flora vivenciam no país. Essa assertiva é constatada no discurso, em 2020, do vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, que minimizou o desmatamento e as queimadas na Amazônia a obstáculos para o comércio nacional, fator que demonstra a omissão governamental nas problemáticas ambientais, favorecendo, dessa maneira, práticas ilegais de ruralistas e a falta de investimentos na recuperação de habitats prejudicados pelo agronegócio ou desastres naturais.

Portanto, é imprescíndivel a adoção de medidas que estimulem a consciência ambiental no Brasil. Para tanto, as Secretarias da Educação estaduais devem assegurar um ensino que contemple o meio ambiente, por intermédio do financiamento de materiais escolares para uma educação sustentável e a capacitação de pedagogos a respeito das práticas de conservação, com o intuito de garantir um aprendizado qualificado e que vise a conservação dos recursos naturais. Outrossim, o Ministério do Meio Ambiente deve administrar áreas de conservação, por meio do monitoramento de regiões utilizadas para extração de recursos e políticas de restauração em locais desmatados, com o escopo de assistir a natureza. Logo, a relação de equilíbrio entre o homem e o ambiente apresentada na obra “O Guarani”, será, gradualmente, propiciada no realidade brasileira.